As pessoas com deficiência constituem um grupo historicamente marcado por exclusão social, barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais que limitam seu acesso pleno à cidadania e ao direito à saúde. No município de Mossoró, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), fundada há 45 anos, desempenha papel central na defesa dos direitos, na promoção do desenvolvimento integral e na oferta de serviços educacionais, terapêuticos e socioassistenciais a cerca de 150 usuários com deficiência intelectual e múltipla. Apesar da relevância da instituição, persiste uma lacuna importante no cuidado integral à saúde, especialmente no que se refere à inserção da Enfermagem, área estratégica para a promoção da saúde, prevenção de agravos e educação em saúde emancipatória. Diante desse cenário, o projeto de extensão Amigos da APAE: inclusão, acolhimento e amorosidade na transformação de vidas propõe o desenvolvimento de ações educativas voltadas à promoção da saúde, à defesa dos direitos de cidadania e à inclusão social das pessoas atendidas pela APAE de Mossoró, bem como o fortalecimento de campanhas de arrecadação de recursos financeiros que garantam maior sustentabilidade às atividades institucionais. O público-alvo compreende usuários da APAE, familiares, amigos, voluntários, profissionais da instituição e a comunidade em geral, além de 30 discentes do curso de Enfermagem da UERN, que atuarão diretamente no planejamento, execução e avaliação das ações. A fundamentação teórica apoia-se em autores clássicos e contemporâneos da educação inclusiva, da pedagogia crítica e da promoção da saúde, destacando a perspectiva freireana do diálogo, da amorosidade e da problematização como eixos estruturantes da prática pedagógica emancipatória. Também dialoga com a Pedagogia da Amorosidade, que valoriza vínculos afetivos, solidariedade e respeito à diversidade, e com referenciais da Organização Mundial da Saúde e da Lei Brasileira de Inclusão, que compreendem a deficiência em sua dimensão biopsicossocial. Assim, o projeto insere-se no paradigma dos direitos humanos e da inclusão, superando modelos assistencialistas e reforçando práticas participativas e cidadãs. A metodologia foi desenhada para articular ensino, pesquisa e extensão de forma integrada, garantindo rigor acadêmico e pertinência social. Inicia-se com uma etapa preparatória que inclui reuniões de alinhamento com a APAE, formação prévia dos discentes em temas como acessibilidade, comunicação inclusiva, primeiros socorros e metodologias ativas, além da produção de materiais pedagógicos acessíveis (leitura fácil, pictogramas, Libras e legendas). Em seguida, será realizado diagnóstico situacional participativo, com observação, entrevistas com familiares e profissionais e triagem funcional dos assistidos, para identificar prioridades de intervenção. Com base nesse diagnóstico, será elaborado um planejamento coletivo, envolvendo discentes, docentes, familiares e equipe multiprofissional da APAE, para definir temáticas, estratégias e materiais. As ações previstas incluem: oficinas de educação em saúde (higiene, alimentação saudável, prevenção de agravos, segurança do paciente, primeiros socorros), atividades lúdicas adaptadas (jogos, artes, música, teatro, contação de histórias), rodas de conversa e capacitações voltadas a familiares e cuidadores, além de campanhas solidárias para arrecadação de recursos. A execução ocorrerá semanalmente entre fevereiro e dezembro de 2026, respeitando a rotina institucional da APAE e garantindo acessibilidade comunicacional e arquitetônica. A avaliação será contínua e formativa, combinando métodos qualitativos e quantitativos. Serão aplicados instrumentos de sondagem de conhecimento e atitudes, observações funcionais dos assistidos, registros reflexivos dos discentes, pesquisas de satisfação com familiares e profissionais e reuniões de devolutiva comunitária. Indicadores de processo (número de oficinas, participação, horas de extensão), de produto (materiais educativos produzidos, relatórios, artigos) e de resultado (melhoria em conhecimentos, práticas e atitudes, satisfação ≥ 80%) serão monitorados periodicamente. O caráter acadêmico da proposta se destaca pela interdisciplinaridade, pela articulação com o ensino e a pesquisa e pela produção de produtos técnicos e científicos, como materiais educativos, relatórios, resumos expandidos e artigos. Do ponto de vista formativo, a vivência extensionista possibilitará aos estudantes do curso de Enfermagem da FAEN/UERN o desenvolvimento de competências técnicas, relacionais e éticas, ao mesmo tempo em que os aproximará de realidades sociais complexas, fortalecendo a formação crítica e cidadã. Para os docentes, o projeto representa um espaço de inovação metodológica e de integração com a comunidade. Os resultados esperados abrangem múltiplas dimensões: Para os assistidos e familiares: fortalecimento da autonomia, autoestima e participação social; ampliação do letramento em saúde; incorporação de práticas de autocuidado e prevenção de agravos; fortalecimento de vínculos familiares e comunitários; redução de barreiras comunicacionais e sociais; Para a APAE e a comunidade: mobilização solidária e arrecadação de recursos; qualificação das rotinas de cuidado e de acolhimento; produção de tecnologias sociais acessíveis (cartilhas, vídeos, manuais); maior articulação com a rede SUS e SUAS; Para os discentes de Enfermagem: desenvolvimento de competências técnicas (educação em saúde, primeiros socorros, vigilância em saúde), relacionais (comunicação inclusiva, trabalho em equipe, liderança), éticas (empatia, cidadania, direitos humanos) e científicas (produção de relatos, artigos, TCCs e pesquisas); e Para os docentes e a UERN: inovação pedagógica, ampliação de parcerias interinstitucionais, produção de conhecimento socialmente referenciado e fortalecimento da indissociabilidade ensinopesquisaextensão. O impacto institucional esperado é a consolidação da UERN como parceira estratégica da APAE de Mossoró e referência na promoção da saúde inclusiva, além da contribuição para a curricularização da extensão, a atualização dos componentes curriculares e a criação de novos cenários de prática para graduação e pós-graduação. A proposta também se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 3: Saúde e Bem-Estar; ODS 4: Educação de Qualidade; ODS 10: Redução das Desigualdades; ODS 16: Paz, Justiça e Instituições Eficazes; ODS 17: Parcerias e Meios de Implementação) e às diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência e do Programa Saúde na Escola (PSE). Em síntese, trata-se de um projeto de extensão necessário, exequível, coerente e transformador. Necessário, porque responde a uma lacuna concreta no cuidado integral à pessoa com deficiência em Mossoró; exequível, porque conta com equipe qualificada, parcerias consolidadas e infraestrutura institucional; coerente, por alinhar-se às diretrizes institucionais da UERN, às políticas públicas e aos ODS; e transformador, porque gera benefícios pedagógicos, científicos, comunitários e sociais duradouros. Ao articular inclusão, acolhimento e amorosidade, a iniciativa reafirma o compromisso da universidade pública com a promoção da saúde, a defesa dos direitos humanos e a construção de uma sociedade mais justa, solidária e democrática.
discentes do curso de enfermagem
Pessoas deficientes (assistidos), pais, amigos, voluntários e profissionais da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais do município de Mossoró
Imagem 1 - Prática educativa com alunos da UCE AMIGOS DA APAE
Imagem 2 - Prática educativa com assistidos, familiares e funcionários da APAE
Imagem 3 - Prática educativa na APAE
Imagem 4 - Prática educativa de primeiros socorros na APAE
Imagem 5 - Prática educativa de primeiros socorros
IMAGEM 11 - SÃO JOÃO
IMAGEM 12 - MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS
Imagem 6 - Prática educativa sobre higiene corporal e lavagem de mãos
imagem 8 - prática educativa
Imagem 7 - alunos do projeto
imagem 9 - São joão na APAE
IMAGEM 10 - SÃO JOÃO
IMAGEM 11 - AFERIÇÃO DE PRESSÃO ARTERIAL
IMAGEM 13- ASSISTIDOS E EQUIPE AMIGOS DA APAE
IMAGEM 14 - PRÁTICA EDUCATIVA
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