Visando atender às diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) e avançar na institucionalização das PICs no âmbito do SUS, em março de 2017, foi publicada a Portaria Nº 849, a qual ampliou o leque de terapias contempladas na Portaria 971/2006, incluindo a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala e Terapia Comunitária Integrativa. O projeto busca, nesse sentido, priorizar as práticas em Arteterapia e Palhaçoterapia. Através da arte promove-se a ressignificação dos conflitos, gerando a reorganização das próprias percepções, ampliando a percepção do indivíduo sobre si e o mundo. A arte é utilizada no cuidado à saúde com pessoas de todas as idades e por meio desta, a reflexão é estimulada sobre possibilidades de lidar de forma mais harmônica com o estresse e experiências traumáticas (SILVA; MARIA EDNA et al., 2018). Ainda sob essa perspectiva, a presença dos palhaços em ambiente hospitalar tem-se mostrado benéfica ao provocar o riso. Segundo Lambert (1999 apud ANTONELI, 2019), o riso é capaz de promover sensação de bem-estar geral ao liberar endorfinas, além de melhorar o sistema circulatório e, principalmente, o sistema imune. Além disso, é capaz de distrair o indivíduo da dor, e estreitar o vínculo entre médico e paciente (SCHELL et al. 2017 apud ANTONELI, 2019). Nesse sentido, a arteterapia, a palhaçaria, entre outras PICs, devem ser inseridas no manejo terapêutico do paciente oncológico independente da faixa etária, desde crianças até idosos. A partir de estudos baseados na prática clínica, evidenciou-se que, ao oportunizar a esses grupos a vivência e contato com o processo artístico, pode-se favorecer a ressignificação da própria vida, uma vez que facilita encontrar formas de lidar com a realidade vivenciada no processo de doença e tratamento, no caso dos pacientes (SILVA; MARIA EDNA et al., 2018), além de melhorar a vivência da comunidade nos centros de apoio. A experiência de adoecimento e de realização do tratamento oncológico (quimioterapia, radioterapia, cirurgia) gera limitações e conflitos no paciente e em seus familiares, mobilizando inseguranças, temores e angústias. Do mesmo modo, o cotidiano nos espaços de apoio, incluindo as relações interpessoais e as diversas emoções oriundas de situações de abandono e carência torna essa população vulnerável, com uma rotina quase constante de enfrentamento (medos, incertezas, etc.). Nesta perspectiva, a expressão de tais vivências que representam aspectos do mundo interno é um dos principais focos das práticas de arteterapia e palhaçaria com essa população, uma vez que, além dos conteúdos intencionalmente externalizados nas produções (aspectos conscientes), lida-se também com conteúdos simbólicos (aspectos inconscientes) de extrema relevância para todo o processo de transformação e ressignificação, sendo esses fatores imprescindíveis à proposta arte palhaçoterapia em sua perspectiva psicodinâmica.
Estudantes de Medicina e da saúde em geral
pacientes oncológicos pediátricos, adultos e idosos
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