Isolamento e Caracterização Estrutural de Alcaloides Indólicos da Casca do Caule de Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir.
M. tenuiflora. Triptaminas. Alcaloides indóliocs. Ressonância magnética nuclear. Produtos naturais. Transtornos do sistema nervoso central.
Os transtornos mentais, especialmente a depressão resistente ao tratamento, representam um desafio relevante para a saúde pública, impulsionando a busca por novas alternativas terapêuticas. Nesse contexto, compostos psicodélicos de origem natural, como a N,N-dimetiltriptamina (DMT), têm despertado interesse científico devido ao seu potencial neuropsicofarmacológico. A espécie Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir., amplamente distribuída no bioma Caatinga, destaca-se como fonte de alcaloides indólicos de interesse farmacológico. No presente estudo, a casca do caule de M. tenuiflora foi submetida à extração alcalina seguida de partição líquido-líquido com solventes orgânicos, visando ao isolamento de alcaloides indólicos. A extração com 20 g de material vegetal resultou, na fração hexano, em um sólido cristalizado com rendimento de 0,936% (187,2 mg), enquanto a fração diclorometano apresentou 38,3 mg (0,191%). Para 100 g de material vegetal, foram obtidos 448,6 mg (0,4486%) na fração hexano e 174,4 mg (0,1744%) na fração diclorometano. Já na extração com 200 g, os rendimentos foram de 592,4 mg (0,2962%) na fração hexano e 1.254,1 mg (0,6271%) na fração diclorometano. A triagem fitoquímica por cromatografia em camada delgada (CCD) apresentou resultados positivos para alcaloides e alcaloides indólicos, mediante revelação com os reagentes de Dragendorff e Ehrlich. A comparação dos fatores de retenção (Rf) com padrão de DMT corroborou sua presença nas frações analisadas. A caracterização estrutural por espectroscopia de Ressonância Magnética Nuclear de ¹H, associada aos experimentos bidimensionais COSY, HSQC e HMBC, confirmou o isolamento da DMT. Outras frações isoladas apresentaram perfis espectrais de ¹H compatíveis com sistemas indólicos, indicando fortemente a presença de alcaloides indólicos pertencentes à classe das triptaminas. Esses compostos apresentam características estruturais distintas da DMT e, até o momento, não possuem relatos na literatura para M. tenuiflora, sugerindo a possível ocorrência de substâncias inéditas na espécie. Os resultados ampliam o conhecimento fitoquímico de M. tenuiflora e reforçam a relevância dos alcaloides indólicos naturais como alvos promissores para investigações futuras, especialmente no desenvolvimento de alternativas terapêuticas para transtornos do sistema nervoso central, como ansiedade, depressão e doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Alzheimer.