Banca de QUALIFICAÇÃO: SAMYRA KELLY DE LIMA MARCELINO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SAMYRA KELLY DE LIMA MARCELINO
DATA : 16/04/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Videoconferência (google meet)
TÍTULO:

Kunhã-y Katu: Mulheres do Rio Katu na luta indígena pelo território Potyguara Katu (RN)


PALAVRAS-CHAVES:

Mulheres Indígenas; Território; Rio Katu; Saberes Tradicionais; Conflitos socioambientais.


PÁGINAS: 143
RESUMO:

Esta dissertação ecoa as relações entre mulheres indígenas potyguaras, território e práticas socioambientais na comunidade Katu, localizada entre os municípios de Goianinha e Canguaretama, no litoral sul do Rio Grande do Norte, com ênfase na relação mulher–rio Katu (Kunhã-y Katu). Parte-se da compreensão do Rio Katu como elemento central da memória biocultural, fundamental para o bem-viver, a alimentação e cultura da comunidade. A pesquisa possui abordagem qualitativa, fundamentada na etnografia e na cartografia social participativa, articulando observação participante, pesquisa-ação e entrevistas semiestruturadas com mulheres indígenas potyguaras. A pesquisa teve como objetivo etnomapear, de forma coletiva, as principais áreas de uso comunitário do Rio Katu, considerando os eixos socioambiental, cultural e de conflitos socioambientais, a partir dos etnoconhecimentos e das cosmovisões das mulheres. Os resultados evidenciam que o Rio Katu é indissociável do corpo-território das mulheres, no qual se entrelaçam memória, tradição, espiritualidade e identidade, reconhecendo-o como familiar. As narrativas revelam práticas cotidianas vinculadas às suas águas, como agricultura, pesca e usos domésticos, ao mesmo tempo em que apontam transformações socioambientais decorrentes do avanço da monocultura da cana-de-açúcar, incluindo desmatamento, poluição, assoreamento e contaminação por agroquímicos. Destaca-se o protagonismo das mulheres indígenas do Coletivo Mulheres da Resistência Katu na defesa do território, por meio de ações como mutirões de limpeza, reflorestamento e práticas educativas, mesmo diante de desafios como o racismo ambiental, o machismo e a ausência de políticas públicas. Conclui-se que a cartografia social se configura como ferramenta metodológica, política e pedagógica, contribuindo para a visibilização dos saberes tradicionais, o fortalecimento do protagonismo feminino e da luta socioambiental pela proteção do território, sendo o futuro do Rio Katu indissociável da continuidade da vida e dos modos de existência das mulheres potyguaras katuenses.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 4547 - RODRIGO GUIMARÃES DE CARVALHO
Externa à Instituição - ADRYANE GORAYEB - UFC
Externo à Instituição - CARLOS EDUARDO DE ARAÚJO
Notícia cadastrada em: 07/04/2026 11:04
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