Efeitos sazonais na sucessão de macroinvertebrados bentônicos em uma lagoa temporária do Semiárido Nordestino.
Caatinga; lagoas temporárias; sazonalidade; semiárido; sucessão ecológica.
As lagoas temporárias do semiárido nordestino constituem ecossistemas altamente dinâmicos, cuja estrutura ecológica é fortemente influenciada pela sazonalidade climática e pelas oscilações hidrológicas decorrentes dos períodos de seca e chuva. Esses ambientes desempenham importante papel ecológico na manutenção da biodiversidade regional, funcionando como refúgio para diversos organismos aquáticos, especialmente macroinvertebrados bentônicos, amplamente utilizados como bioindicadores da qualidade ambiental. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos das variações sazonais e dos parâmetros físico-químicos da água na sucessão ecológica de macroinvertebrados bentônicos em uma lagoa temporária localizada no semiárido do Rio Grande do Norte, inserida no bioma Caatinga. As coletas foram realizadas durante os períodos seco e chuvoso, acompanhando os processos de retração e enchimento da lagoa. Para a amostragem dos organismos, foram utilizadas 28 armadilhas artesanais confeccionadas com garrafas PET, adaptadas. Os macroinvertebrados coletados foram triados e identificados em nível de ordem taxonômica. Paralelamente, foram analisados parâmetros físico-químicos da água, incluindo temperatura, pH, sólidos totais dissolvidos (TDS) e condutividade elétrica, utilizando como referência os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA. Foram registrados 694 espécimes distribuídos em 10 ordens taxonômicas, com destaque para Pulmonata e Architaenioglossa, que apresentaram as maiores abundâncias ao longo do estudo. Durante o período seco, observou-se predominância de grupos mais resistentes às condições de estresse ambiental, associadas à retração da lâmina d’água, aumento da temperatura e maior concentração de matéria orgânica. No período chuvoso, verificou-se aumento da diversidade e recolonização parcial do ambiente, favorecendo principalmente Diptera e moluscos gastrópodes. Entretanto, a lagoa não atingiu enchimento completo durante o período chuvoso, restringindo as coletas aos intervalos de 15 e 30 dias. Os parâmetros físico-químicos apresentaram valores compatíveis com os limites estabelecidos para águas doces, exceto a condutividade elétrica, que apresentou valor superior ao geralmente utilizado como indicativo de impacto ambiental. As variações observadas sugerem influência direta da evaporação, concentração de íons dissolvidos e decomposição da matéria orgânica sobre a dinâmica ecológica da lagoa. Os resultados evidenciam que a sazonalidade atua como importante filtro ecológico na estruturação das comunidades bentônicas, influenciando os processos de sucessão ecológica em ambientes temporários do semiárido.