CARACTERIZAÇÃO FAUNÍSTICA EM UM AMBIENTE CÁRSTICO E UM AMBIENTE COSTEIRO DO RIO GRANDE DO NORTE COM BASE EM EGAGRÓPILAS DA SUINDARA (Tyto alba).
Tyto alba; egagrópilas; tafonomia; antropização; vulnerabilidade ontogenética; ingestão secundária.
A análise de egagrópilas de Tyto alba constitui uma forma indireta de obter registros dos organismos consumidos pelo predador, mas sua interpretação requer considerar os processos que interferem na composição e na preservação do material recuperado. Este capítulo apresenta a fundamentação teórica utilizada para orientar o estudo de egagrópilas provenientes de dois contextos ambientais do semiárido potiguar, um sítio cárstico e uma área costeira urbanizada. São discutidos aspectos biológicos e ecológicos de T. alba, os processos tafonômicos relacionados à digestão e à formação das egagrópilas, bem como os vieses associados à disponibilidade, acessibilidade, vulnerabilidade e preservação diferencial das presas. Também são abordadas as possíveis relações entre antropização, homogeneização biótica e ocorrência de espécies sinantrópicas, além da influência da idade relativa das presas sobre sua representação entre os indivíduos consumidos. A presença de sementes, fragmentos vegetais e outros materiais de origem incerta é discutida a partir das possibilidades de ingestão secundária e incorporação incidental. A partir desses fundamentos, as egagrópilas são tratadas como registros dos organismos efetivamente consumidos e preservados, cuja interpretação deve considerar os filtros associados ao processo de predação, evitando sua equivalência direta com a composição ou a estrutura das comunidades presentes no ambiente.