PERFIL DAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA POR ARMA DE FOGO ATENDIDAS NO HOSPITAL REGIONAL TARCÍSIO DE VASCONCELOS MAIA- HRTVM NO PERÍODO 2024: Quem são?
violência por PAF; perfil sociodemográfico; saúde pública;
A presente pesquisa analisa o perfil das vítimas de violência por arma de fogo (PAF) atendidas no Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia (HRTVM), em Mossoró/RN, no ano de 2024, buscando compreender o que esse perfil revela acerca das determinações sociais da violência armada na contemporaneidade. Fundamentada no método materialista histórico-dialético, a pesquisa parte da compreensão de que a violência constitui expressão histórica das desigualdades estruturais que marcam a formação social brasileira. O estudo articula revisão bibliográfica com pesquisa documental realizada a partir dos registros do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), implantado na instituição em 2024. Foram analisados todos os atendimentos por perfuração por arma de fogo no período de janeiro a dezembro de 2024, considerando variáveis sociodemográficas, territoriais e circunstanciais, além da evolução clínica. A análise quantitativa descritiva foi interpretada à luz de categorias histórico-estruturais, como totalidade, desigualdade estrutural, reprodução da violência e invisibilidade social. Os resultados evidenciam o predomínio de vítimas jovens, majoritariamente do sexo masculino, negras, com baixa escolaridade e inserção precária no mercado de trabalho, residentes em territórios vulnerabilizados, confirmando a incidência seletiva da violência armada sobre segmentos historicamente marginalizados. Identificaram-se, ainda, limitações nos registros institucionais, com lacunas e subnotificações que reforçam a necessidade de qualificação dos recursos humanos e aprimoramento dos sistemas de informação em saúde, especialmente na vigilância, para garantir maior qualidade e uso estratégico dos dados no planejamento e na formulação de políticas públicas. A pesquisa evidencia a interface entre violência e saúde pública, demonstrando que seus impactos extrapolam o evento traumático e incidem sobre a organização dos serviços hospitalares e o Sistema Único de Saúde. Conclui-se que o perfil identificado não é aleatório, mas expressão de uma estrutura social que distribui desigualmente proteção e exposição à letalidade, contribuindo para o fortalecimento da vigilância em saúde, da formulação de políticas intersetoriais e da práxis do Serviço Social no contexto hospitalar.