Banca de QUALIFICAÇÃO: ANTONIA THAINA EVELYN MORAIS HOLANDA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANTONIA THAINA EVELYN MORAIS HOLANDA
DATA : 28/10/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Qualificação remota
TÍTULO:

TRABALHO PRECOCE DE INFLUENCIADORAS NEGRAS: A INFÂNCIA EM RISCO NO INSTAGRAM


PALAVRAS-CHAVES:

Infância negra; Trabalho precoce; Instagram; Direitos humanos e digitais;


PÁGINAS: 83
RESUMO:

A presente dissertação analisa criticamente como se materializa o trabalho precoce de influenciadoras digitais negras no Instagram, compreendendo-o como uma violação dos direitos da infância no contexto brasileiro, onde o trabalho de crianças e adolescentes é legalmente proibido. A pesquisa considera que apesar desse tipo de trabalho ser frequentemente apresentado como oportunidade de visibilidade e ascensão social, ele se sustenta em exploração e mercantilização da infância, por isso, o problema central do estudo consiste em compreender como esse trabalho se constrói e acontece no Instagram, plataforma essa que muitas vezes apresenta uma aparência de diversão, e acaba mascarando a constante produção de conteúdo e exposição na rede social digital. A metodologia adotada é qualitativa e documental, com foco na análise de imagem e discurso visual em perfis de duas crianças negras influenciadoras digitais, guiada por um roteiro analítico o qual contempla aspectos como engajamento, exposição e conteúdos patrocinados. A lente interpretativa utilizada é a teoria pós-colonial de Homi Bhabha (1998), que permite compreender a identidade como construção marcada por ambivalências, estereótipos e tensões, se constituindo no trabalho de meninas negras como influenciadoras precoces no Instagram entre imposições externas de mercado e expressões culturais próprias. Para tanto, buscamos discutir a infância, a racialidade e o trabalho, abordando o fenômeno do trabalho precoce nas mídias digitais, como ele se estrutura na plataforma Instagram, os limites da regulação estatal e da proteção legal. A partir desses recortes, discutimos como crianças negras, historicamente marginalizadas, ainda continuam sendo exploradas sob novas roupagens tecnológicas, tendo sua infância anulada pela imposição precoce de atividades laborais, bem como, inseridas num processo ideológico o qual naturaliza esse tipo de trabalho e encobre sua natureza exploratória, limitando suas possibilidades de futuro. Neste sentido, consideramos o trabalho precoce no Instagram uma forma de negação dos direitos fundamentais infantis, pois compromete a privacidade, expõe excessivamente aspectos da vida pessoal e as submete a situações as quais podem ser constrangedoras, vexatórias ou até mesmo perigosas. Essa exposição tomada como natural não é apenas uma estratégia, mas uma exigência para a manutenção da relevância e do engajamento na rede, e transforma, para nós, essas crianças em alvos constantes de julgamentos e vigilância. Neste sentido, com uma existência condicionada ao trabalho no Instagram, consideramos que crianças influenciadoras não têm uma vivência plena da infância, pois o tempo do brincar e do ócio, por exemplo, os quais se configuram como essencial ao desenvolvimento infantil acabam sendo suprimidos pelas lógicas comerciais as quais regem a dinâmica das redes sociais.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - JANAIKY PEREIRA DE ALMEIDA - UFRN
Interna - 3280 - MIRLA CISNE ALVARO
Presidente - 3815 - TOBIAS ARRUDA QUEIROZ
Notícia cadastrada em: 09/10/2025 09:16
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