Banca de DEFESA: ANTONIA LIZYANE DOS SANTOS MOREIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANTONIA LIZYANE DOS SANTOS MOREIRA
DATA : 20/08/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do Departamento de Comunicação
TÍTULO:

“SE ACOSTUME A VER PRETA NO PODER”: escrevivências, narrativas e canções de Cabocla de Jurema e Dayanne Nunes


PALAVRAS-CHAVES:

Música; Escrevivência; Feminismo Negro;


PÁGINAS: 147
RESUMO:

Esta pesquisa propõe uma análise crítica das produções musicais e das trajetórias de duas artistas negras mossoroenses, Cabocla de Jurema e Dayanne Nunes, utilizando a escrevivência (Evaristo, 2007) enquanto caligrafia da pesquisa. O objetivo central é compreender como suas composições operam como narrativas de si e de sua coletividade, articulando experiências de raça, gênero, classe, espiritualidade e afetividade. A investigação ancora-se em uma abordagem qualitativa, com inspiração (auto)biográfica à luz do Pensamento Negro Radical (Robinson, 2020) enquanto método de analise, considerando a música como um campo de produção de sentidos e saberes historicamente deslegitimados pela ciência hegemônica. A pesquisa se fundamenta em analise sensível das obras e trajetórias das interlocutoras, priorizando a relação entre texto, contexto e experiência vivida. A escolha por uma escrita que se aproxima da sensibilidade e da implicação da pesquisadora decorre do reconhecimento de que a neutralidade científica é um artifício político que historicamente silenciou vozes subalternizadas. Nesse sentido, a escrevivência é mobilizada não como método, mas como postura política, que reivindica a legitimidade do conhecimento produzido a partir da vivência. O percurso teórico envolveu extensa revisão de literatura, com ênfase nas contribuições de autoras como Patricia Hill Collins (2019), bell hooks (2021), Lélia Gonzalez (2020) e Denise Ferreira da Silva (2022). A análise dos dados revelou que as produções musicais das artistas não apenas tematizam questões como racismo, sexismo e violência, mas também afirmam modos de existência pautados pela ancestralidade, pelo amor, pela espiritualidade de matriz africana e pela reconstrução simbólica de si. A pesquisa também problematiza os limites das epistemologias tradicionais e das práticas acadêmicas convencionais, tensionando a centralidade da racionalidade eurocêntrica na produção do saber científico. Conclui-se que a música, enquanto tecnologia social e política, constitui-se como dispositivo de transformação, e de demonstração da maneira como as interlocutoras são e existem no mundo, contribuindo para a construção de novas narrativas sobre as mulheres negras e seus modos de existir no mundo.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - JEDER SILVEIRA JANOTTI JUNIOR - UFPE
Externa ao Programa - 7966 - ELIANE ANSELMO DA SILVA
Interna - 3280 - MIRLA CISNE ALVARO
Presidente - 3815 - TOBIAS ARRUDA QUEIROZ
Notícia cadastrada em: 06/08/2025 09:30
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