Relações semântico-terminológicas em documentos curriculares oficiais do ensino médio sob a perspectiva da Terminologia Textual
relações semânticas; terminologia textual; documentos curriculares; ensino médio.
O chamado Novo Ensino Médio teve como foco central a reforma curricular da última etapa da Educação Básica e, com isso, apresentou novidades nas propostas pedagógicas, nos métodos de ensino e, consequentemente, no redesenho curricular destinado às instituições escolares por meio da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Assim como todo processo social, esse debate está permeado por relações linguísticas advindas do discurso educacional vigente que é fruto do contexto histórico, econômico e cultural atual e que impacta de forma intensa na rotina escolar. Nessa “novidade” curricular, são observadas nomenclaturas que delineiam quais e de que modo os conhecimentos devem ser ensinados nas salas de aula brasileiras. Diante dessa contextualização, esta tese tem como objetivo analisar os sentidos expressos pelas relações semântico-terminológicas presentes nos documentos curriculares brasileiros voltados ao Ensino Médio. Essa proposta tem como base os fundamentos da Semântica Lexical (Polguère, 2018; Ilari (2002); Ilari e Geraldi (2006); Cançado (2008); Henriques (2011) em uma interface com os conhecimentos advindos da Terminologia, segundo Barros (2004); Krieger e Finatto (2019) e Cabré (1998; 2005), com um foco nos estudos da Terminologia Textual, sob os apontamentos de Ciapuscio (1998) e Hoffmann (2015), tendo em vista que os referenciais curriculares são considerados textos especializados, de acordo com as discussões realizadas neste trabalho, nos quais circulam termos específicos voltados à área educacional. Como metodologia, adota-se a pesquisa qualitativa, com objetivo descritivo interpretativo (Paiva, 2019). O corpus é composto pelos capítulos introdutórios de seis documentos curriculares em uma perspectiva comparativa, sendo dois de âmbito nacional e quatro de âmbito estadual (Ceará e Rio Grande do Norte): os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs (1998) e a Base Nacional Comum Curricular – BNCC (2018); a Coleção Escola Aprendente (2008) e o Documento Curricular Referencial do Ceará – DCRC (2021); o Programa Ensino Médio Inovador do Rio Grande do Norte – ProEMI RN (2009) e o Referencial do Ensino Médio Potiguar (2021). Desses textos, foram selecionadas e analisadas doze unidades terminológicas e suas respectivas correlações semânticas. Os resultados apontam que a reforma curricular mais atual apresenta “novas” nomenclaturas e outras em que se observa um intercâmbio semântico com termos já utilizados pelos documentos antecessores. Assim, os dados analisados permitem afirmar que os termos presentes nos referenciais curriculares refletem o discurso educacional vigente à época/contexto de publicação e expõem sentidos que impactam diretamente a formação docente e a democratização do ensino no Brasil, sobretudo na última etapa da educação básica.