REDAÇÃO COMO COMPONENTE CURRICULAR NO ENSINOMÉDIO E O LUGAR DO GÊNERO REDAÇÃO DO ENEM
Componente curricular redação; gênero redação do ENEM; ensino do texto noensino médio; intertextualidades; ENEM.
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O ensino da produção textual é uma fonte de pesquisas há muitas décadas, que suscita diversas reflexões
e contribuições para a área. Neste sentido, em nossa investigação, especificamente, tratamos do objeto de
pesquisa Componente Curricular Redação, existente nas escolas de Ensino Médio da Secretaria de
Educação do Estado – SEDUC-CE desde 2018. Para tanto, pesquisamos como o referido componente se
desenvolve em uma escola pública da rede estadual. Nesses termos, temos como objetivo geral
investigar a Redação enquanto componente curricular do Ensino Médio, considerando a proposta
curricular, o ensino do texto, o discurso do professor e a intertextualidade como estratégia
argumentativa, de modo a atuar para a elevação dos índices de boas práticas de escrita. De modo mais
específico, i) compreender como a proposta curricular de Redação do Ensino Médio normatiza e orienta
o ensino do texto à luz dos documentos oficiais. ii) interpretar o discurso do professor sobre o trabalho
no Componente Curricular de redação na sala de aula do Ensino Médio. iii) analisar a intertextualidade
como estratégia argumentativa no gênero redação para o Enem produzidos pelos alunos sujeitos da
pesquisa. Teoricamente, nosso trabalho está respaldado em Bakthin (2011, 2016), Antunes (2010),
Buzen (2006), Cavalcante (2016, 2020, 2022), Geraldi (2008, 2011), Koch (2005, 2016, 2021), Amossy
(2008, 2017, 2018), Marcuschi (2008), Schneuwly e Dolz (2004), Adam (2019), Bezerra (2017), dentre
outros. Além disso, abordamos também os documentos oficiais tais como PCN (1998), PCNEM
(1999/2000), PCN+ (2002), OCEM (2006) e BNCC (2018), direcionando nosso olhar para as
orientações sobre ensino do texto. Como percurso metodológico, destacamos a pesquisa qualitativa, com
método indutivo, utilizando os instrumentos de coleta de dados: a proposta curricular de redação das três
séries do ensino médio do campo de pesquisa, a observação de aulas e produção de notas de campo, as
vinte e uma redações produzidas pelos alunos da terceira série e as duas entrevistas com as duas
professoras de redação que tiveram suas aulas observadas. Quanto aos resultados, as propostas
curriculares dialogam com os documentos oficiais para o ensino, sugerindo um trabalho a partir dos
gêneros, os quais podem ser associados a todos os campos de atuação social propostos pela BNCC
(2018), contudo, literalmente, as propostas analisadas não orientam as formas de circulação social dos
gêneros, ficando à critério dos professores essa decisão. Também, orienta práticas de ensino do texto
variadas, de maneira processual, as quais consideram as condições de produção, produção de texto,
recursos da escrita, projeto textual, coesão e coerência, limitando-se a produção escrita, em detrimento
de outras formas de produção. A avalição também é orientada de maneira processual, contínua e
sistemática baseada nas produções textuais. A metodologia e conteúdos revelam práticas de ensino
semelhantes desde a primeira série até a terceira, acrescentando-se práticas de ensino do texto
específicas para a redação do ENEM como debates de temas, correções de redação e o desenvolvimento
do concurso Chego junto, chego a 1000!. No que se refere às entrevistas associadas as notas de campo,
os resultados confirmam as orientações das propostas curriculares, nas quais as professoras entrevistadas
revelam em seus discursos práticas de ensino do texto diversificadas, que contemplam outras práticas de
linguagem, tais como, leitura, escuta, oralidade em associação à produção de texto, como forma de
contribuir para uma melhor forma de dizer. Além disso, revelam um ensino bastante direcionado para o
gênero redação do ENEM através de um ensino pautado pela aquisição de repertório sociocultural,
produção, correção e reescrita de redações. A partir da análise de conteúdo das entrevistas realizada pelo
software IRAMUTEQ identificamos que as palavras redação, aluno, aula e ENEM são as mais
recorrentes e demarcam o lugar de predominância do gênero redação do ENEM no ensino ofertado pelas
professoras. Também revelam um ensino focado na sequência textual argumentativa, na aquisição pelos
alunos de conhecimentos diversos, pautado nas etapas de produção, correção e reescrita. Ainda, tais
etapas encontram dificuldades de acontecerem devido ao grande número de alunos, como também ao
pouco tempo de planejamento destinado a cada professor. Em relação as redações produzidas pelos
alunos da terceira série do Ensino Médio, os resultados revelam que as intertextualidades como
estratégias argumentativas são bastante utilizadas diante do projeto textual construído, com
predominância para as intertextualidades estritas de copresença paráfrase, seguida da intertextualidades
ampla de imitação de gênero, intertextualidades ampla alusão ampla, ainda a presença de
intertextualidades estritas de copresença citação e alusão, demostrando o uso frequente dessas
intertextualidades como estratégias argumentativas na redação produzida, retomando os conhecimentos
enciclopédicos e atendendo a competência II e III da redação do ENEM. Em linhas gerais, nossos
resultados revelam um ensino alinhado aos documentos oficiais e com a Linguística Textual, que por se
constituir como disciplina específica na grade curricular, não desvincula a prática de linguagem
produção de texto da disciplina Língua Portuguesa do ponto de vista do ensino investigado. A separação
consiste, apenas, no tempo pedagógico destinado ao ensino do texto, mas ambos componentes
curriculares se complementam. Dessa forma, ficou evidenciado o lugar de predominância do gênero
redação do ENEM no ensino do texto orientado e ofertado.