RESISTÊNCIAS E MODOS DE DEVIR-MULHER EM CORPO DESFEITO DE JARID ARRAES
Literatura contemporânea. Jarid Arraes. Corpo desfeito. Corpo feminino. Devir-mulher.
Corpo desfeito, romance publicado em 2022 pela escritora contemporânea Jarid Arraes, representa a vida de três mulheres distintas, com uma história atravessada pelo laço familiar e pela perspectiva de uma identificação do feminino sob o signo de uma violência estrutural. No desenrolar da trama, narrada sob a ótica da protagonista cognominada Amanda, evidenciamos um contexto marcado pela instituição das relações de poder e por traços culturais que culminam em um ambiente de cerceamento ao comportamento da personagem feminina e na constituição de ambiente em que as mulheres enfrentam as violências disseminadas na instituição familiar. Considerando a referida problemática, este trabalho investiga a estruturação de resistências às tentativas de subjetivação e docilização que atingem o corpo feminino, a partir de uma leitura crítica da narrativa, ampliando os estudos da escrita de (e sobre a) mulher na literatura contemporânea. Para isso, a análise do texto literário pela ótica do corpo feminino, além da recorrência aos estudos históricos de Michelle Perrot, Regina Dalcastangè, Simone de Beavouir e outros autores, a pesquisa também se articula a construtos teóricos de Gilles Deleuze e Félix Guattari mediante abordagem acerca do devir-mulher e do Corpo sem Órgãos, bem como de concepções propostas nos estudos desenvolvidos por Michel Foucault sobre a docilização e as relações de poder.