Banca de QUALIFICAÇÃO: JOANA LOBO DA CUNHA ROSSI DE CAMARGO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JOANA LOBO DA CUNHA ROSSI DE CAMARGO
DATA : 15/09/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Vídeoconferência
TÍTULO:

QUEM É AQUELA DEPUTRAVA? Modos de subjetivação e resistências da parlamentar travesti negra.


PALAVRAS-CHAVES:

Estudos do Discurso. Subjetivação. Travestilidades. Travesti Parlamentar Negra. Gênero.


PÁGINAS: 92
RESUMO:

Este estudo examina os modos de subjetivação do sujeito travesti parlamentar negra no Brasil a partir de enunciados da Deputada Federal de Erika Hilton nas mídias sociais e no espaço público, analisando como suas narrativas de si funcionam como escritas de si e produções de contraconduta. A pesquisa fundamenta-se nos Estudos Discursivos de matriz arqueogenealógica de Michel Foucault (2001, 2003, 2005, 2008, 2011, 2014a, 2014b, 2024, 2025), alinhando-se às contribuições de Gilles Deleuze (1990), Judith Butler (2018, 2019, 2024) , Paul B. Preciado (2018, 2022), Berenice Bento (2017) e Sara W. York (2020) para analisar como o corpo transexual e travesti, historicamente submetido à abjeção, ao controle biomédico e ao extermínio bionecropolítico, se produz como sujeito de direito e autoridade legislativa. O estudo analisa os regimes de visibilidade e enunciabilidade que autorizam determinados sujeitos a falarem em instâncias específicas. Compreende-se que a irrupção das plataformas digitais e do espaço público como instâncias de relações de saber-poder permitiu que sujeitos transexuais e travestis passassem da condição de objeto de saber médico-policial à posição de sujeitos do próprio dizer. O corpus compõe-se de enunciados audiovisuais do YouTube e fotografias do Instagram veiculados entre 2017 e 2025, mapeados em dois momentos analíticos: o arquivo histórico do jornal Lampião da Esquina (1981) — que assenta as condições de enunciabilidade da travestilidade e a crítica à patologização — e as videografias/postagens de si nas quais o sujeito travesti parlamentar negra narra a si e performa sua ética e estética da existência em vídeos publicados no Youtube. Por meio da análise de sequências enunciativas, a pesquisa cartografa o dispositivo trans, desembaraçando suas linhas de visibilidade, enunciação, força e subjetivação vinculadas às memórias da prostituição de rua e de casas de cafetina. Sugere-se que a experiência e a verdade de si, emergidas nas materialidades analíticas, articulam-se à reconfiguração da feminilidade política travesti negra, onde a memória da abjeção é capturada, ressignificada e convertida em linha de fratura e soberania parlamentar no contexto democrático brasileiro.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - ***.912.474-** - IZAÍAS SERAFIM DE LIMA NETO - UNIFAP
Interno - ***.594.844-** - FRANCISCO VIEIRA DA SILVA - UFERSA
Interna - 7981 - ROSÂNGELA ALVES DOS SANTOS BERNARDINO
Externo à Instituição - LUCAS GOMES DE MEDEIROS - UERN
Notícia cadastrada em: 14/09/2026 09:41
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