A construção referencial e a Toponímia norte-rio-grandense nas trilhas das causas denominativas
Toponímia. Referenciação. História Oral. Causas denominativas
Partindo da concepção de que a Linguística Textual contempla os processos linguísticos e cognitivos pelos quais os sujeitos constroem e organizam sentidos em um texto. A Referenciação ocupa-se em investigar como os interlocutores introduzem um referente em um determinado contexto discursivo e de que forma esses sujeitos retomam tais referentes, com destaque no caso desta pesquisa, das anáforas diretas e/ou indiretas. Este trabalho objetiva, portanto, analisar o papel da referenciação presente nas entrevistas semiestruturadas sobre os topônimos potiguares, considerando as causas denominativas como fenômeno determinante dessas denominações. Tal análise emerge como um aporte para melhor compreendermos a constituição das motivações designativas mediante o pressuposto teórico da Referenciação com base em Koch, Marcuschi e Cavalcante entre outros estudiosos, assim como a Toponímia, com destaque, sobretudo, para as contribuições do modelo taxionômico proposto por Dick (1990). Para melhor aplicar essas teorias, este trabalho recorre, metodologicamente, aos preceitos defendidos pela História Oral que alicerça a coleta dos depoimentos dos moradores que residem nas cidades selecionadas para esta pesquisa, por meio da entrevista semiestruturada. Nesse sentido, a investigação parte do pressuposto de Koch (2015) segundo o qual o uso das expressões referenciais denota não se limita a simples retomadas, mas uma intenção comunicativa que visa convencer o interlocutor usando estratégias não apenas linguísticas, mas cognitivas e discursivas. Sugerimos, assim que a Toponímia fornece elementos embasadores das causas denominativas preservando a história, crenças e valores dos lugares. Para atender ao objetivo desse trabalho, sete municípios foram catalogados, considerando como ponto delimitador a Mesorregião Oeste Potiguar, partindo do princípio de que há outras possíveis causas para a escolha denominativa de cidades norte-rio-grandense. Dessa forma, a pesquisa elege as cidades de Apodi, Campo Grande, Mossoró, Portalegre, Encanto, Lucrécia e Açu. Tal
escolha se vincula aos estudos realizados por Silva e Lima (2022), cujo trabalho instiga a ideia de que ainda há muito o que se conhecer sobre as causas denominativas dessas cidades. Do ponto de vista analítico, a denominação da cidade analisada, como amostragem para esta etapa da pesquisa, apresenta mais de uma classificação taxionômica, considerando, em um primeiro momento, os dados do IBGE Cidades e a narrativa de uma moradora do município (uma das primeiras moradora), que revela versão diferente. Diante dos resultados parciais, esta pesquisa evidencia que: i) os referentes são utilizados pelo falante não somente retomando sentidos, contudo, verificamos por meio da entrevista semiestruturada, que se revelam como estruturas dinâmicas, que recategorizam o objeto de discurso por meio das ações e escolhas coletivas; ii) a causa denominativa que embasou a escolha do topônimo está diretamente relacionada a influência lendária, um evento histórico que motivou a escolha denominativa e iii) os referentes estabelecem uma relação com a história cultural do lugar, visto que preserva as crenças e valores comunitário, assegurando a continuidade de sentido ao longo da história, o topônimo registra o discurso cultural permitindo que a comunidade tenha voz ativa.