Escuta, Ecos e Ressonâncias entre Vida de cantador e Macunaíma, de Mário de Andrade
Mário de Andrade. Escuta. Cultura Popular. Vida de cantador. Macunaíma. Modernismo Brasileiro.
A presente pesquisa investiga a trajetória intelectual e estética de Mário de Andrade, com ênfase na escuta sensível durante suas viagens ao Norte e Nordeste do Brasil entre os anos 1927 a 1929. A pesquisa tem como objetivo geral analisar de que modo o escritor transforma a escuta em um gesto estético, articulando duas de suas obras fundamentais: Vida de cantador (1993), obra póstuma que reúne ensaios e notas críticas sobre a música popular, centrada na figura do coqueiro potiguar Chico Antônio (1904–1993), e o romance-rapsódia Macunaíma: o herói sem nenhum caráter (1928). Fundamentando-se teoricamente nos textos críticos e ensaísticos do escritor Mário de Andrade, bem como nas reflexões filosóficas de Jean-Luc Nancy (2014), Paul Zumthor (1997), Friedrich Nietsche (2007) bem como nas discussões propostas por Florencia Garramuño (2009) sobre as modernidades latino-americanas. O estudo busca-se demonstrar que a modernidade brasileira não se constitui apenas pela ruptura vanguardista com os cânones europeus, mas pela incorporação das matrizes culturais populares, evidenciando as tensões entre o erudito e o popular e reposicionando o cantador nordestino não como mero objeto documental ou matéria-prima exótica, mas como sujeito criador e produtor ativo de uma estética modernidade brasileira.