IMPACTOS DAS COTAS ÉTNICO-RACIAIS NA FORMAÇÃO DE ESTUDANTES NA LICENCIATURAS DA
UERN: PERMANÊNCIA ESTUDANTIL E IDENTIDADE CULTURAL EM ANÁLISE
Ações afirmativas; cotas étnico-raciais; permanência estudantil; identidade cultural; formação de futuros docentes.
As ações afirmativas, em especial as cotas étnico-raciais, evidenciam desigualdades históricas no acesso, na permanência estudantil e no reconhecimento identitário de estudantes negros. Compreendendo a universidade como espaço de disputas simbólicas, torna-se essencial refletir sobre as condições que permitem aos cotistas permanecer, concluir seus cursos e afirmar suas identidades. Nesse cenário, o objetivo geral consistiu em analisar as principais repercussões do sistema de cotas étnico-raciais no cotidiano dos estudantes das licenciaturas da UERN do ponto de vista da adoção de medidas de apoio à permanência estudantil e das ações de valorização da identidade cultural na formação de futuros docentes. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma abordagem qualitativa, articulando análise documental e análise de conteúdo. Foram examinados os materiais da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, os Projetos Pedagógicos dos Cursos de cinco cursos de licenciatura (Ciências Biológicas, Educação Física, Ciências Sociais, Letras – Língua Portuguesa e Pedagogia) e as ações da Diretoria de Ações Afirmativas e Diversidade. Complementarmente, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com cinco estudantes cotistas dos 7º e 8º períodos das licenciaturas referidas, a fim de captar suas percepções e experiências no percurso formativo. Os resultados revelaram que a UERN mantém ao menos nove programas de permanência estudantil, entre os quais se destacam o Programa
de Apoio ao Estudante e os Auxílios Transporte e Alimentação. No que se refere às entrevistas, os estudantes cotistas apontam a insuficiência das bolsas ofertadas e relatam desafios de ordem material, acadêmica e simbólica em suas trajetórias, ainda que também expressem sentimentos de pertencimento ao espaço universitário. No âmbito curricular, os PPCs apresentam inserções ainda limitadas de disciplinas voltadas às questões étnico-raciais, enquanto as ações institucionais de valorização identitária se manifestam de formas distintas, abrangendo desde programações como o Abril Indígena e o Novembro Negro até ciclos formativos. Conclui-se, assim, que o fortalecimento da tríade acesso-permanência-identidade é fundamental para que a universidade avance na direção de uma formação de futuros docentes comprometida com a justiça social.