DO DIAGNÓSTICO À APLICAÇÃO, O PAPEL DA AVALIAÇÃO FORMATIVA NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
História; Ensino; Aprendizagem; Avaliação
O presente estudo teve como objetivo geral compreender os desafios e as oportunidades percebidos por professor e alunos a partir da implementação de metodologias avaliativas formativas no contexto da Educação Básica. Como objetivos específicos, buscou investigar as práticas avaliativas utilizadas na turma pesquisada, identificando seus limites e potencialidades diante das concepções de avaliação formativa; experimentar metodologias avaliativas formativas articuladas às competências e habilidades previstas nos principais documentos norteadores para o corpus pesquisado; e compreender as repercussões percebidas pelos participantes a partir da experiência de implementação dessas práticas no processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa foi desenvolvida com uma turma do 7º ano do Ensino Fundamental – Anos Finais do Centro de Educação Integrada Professor Eliseu Viana (CEIPEV), escola pública localizada em Mossoró, Rio Grande do Norte. De abordagem qualitativa, a investigação foi desenvolvida por meio da pesquisa-ação, tendo como foco o componente curricular de História e o conteúdo ‘Escravidão, comércio e resistência’, com a intervenção organizada em momentos diagnóstico, mediador e reflexivo. A discussão teórica fundamentou-se nas concepções de avaliação e aprendizagem apresentadas por Luckesi (1996), Hoffmann (1993) e Leite e Fernandes (2014), articuladas às contribuições de Paterniani (2021) acerca do feedback e de Freire (2002) sobre diálogo, autonomia e participação no processo educativo. Para a produção dos dados, foram aplicados questionários ao professor e aos alunos participantes, posteriormente analisados por meio da técnica
de Análise de Conteúdo. Os resultados evidenciaram que a avaliação formativa foi percebida pelo professor como uma possibilidade de ampliar o acompanhamento da aprendizagem, identificar conhecimentos e dificuldades dos alunos e favorecer intervenções pedagógicas mais próximas de suas necessidades, embora também tenha sido reconhecido desafios relacionados ao planejamento e à complexidade de determinados conteúdos. Na perspectiva dos alunos, identificou percepções predominantemente positivas quanto à compreensão dos critérios avaliativos, à contribuição da metodologia para a aprendizagem, à utilidade do feedback e às possibilidades de reflexão e autoavaliação. As respostas discursivas evidenciaram, contudo, diferentes formas de vivenciar e atribuir significado à experiência avaliativa, revelando a heterogeneidade da turma. Conclui que a avaliação formativa apresenta potencial para favorecer o acompanhamento contínuo da aprendizagem, o diálogo entre professor e alunos, a identificação de dificuldades e o desenvolvimento da participação e da autorreflexão, sem necessariamente excluir outros instrumentos avaliativos. Nesse sentido,
compreende que sua contribuição está menos na substituição de práticas avaliativas tradicionais e mais na possibilidade de ampliar e diversificar os processos de avaliação, orientando-os para a aprendizagem e para o desenvolvimento dos alunos.