RELAÇÕES DE PODER, MEMÓRIA DISCURSIVA E CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE FEMININA EM ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS DO JORNAL DAS MOÇAS
Análise do Discurso; Ensino; Subjetividade feminina; O Jornal das Moças.
Esta dissertação, ainda em construção, investiga as relações entre poder, memória discursiva e construção da subjetividade feminina em anúncios publicitários publicados na revista “O Jornal das Moças”, no recorte temporal de 1914 a 1950. O objetivo geral é analisar os discursos presentes nos anúncios veiculados na revista a partir do método arquegenealógico, investigando de que maneira esses enunciados produzem e regulam modos de subjetivação feminina, mobilizando memórias sociais. Especificamente, busca identificar as formações discursivas e as vontades de verdade que sustentam determinados padrões de feminilidade;examinar o papel da memória discursiva na permanência e atualização desses discursos; e discutir as contribuições da Análise do Discurso no ensino de leitura crítica, especialmente no que se refere à problematização dos discursos midiáticos como veículos de homogeneização e docilização dos corpos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental e caráter descritivo-analítico, fundamentada na Análise do Discurso de linha francesa, tendo como principal aporte teórico os estudos de Foucault, (1995), (2008), (2014), sobre discurso, relações de poder, e memória; Almeida (2008) no que se refere ao conceito de civilidade; Santos (2011) sobre a dimensão educativa dos periódicos femininos; e Silva (2022) acerca da condição feminina segundo revistas/mídias. O corpus é constituído por anúncios publicitários coletados na revista, selecionados na Hemeroteca Digital Brasileira. Nesse sentido, o estudo contribui para o campo do ensino, ao ampliar as discussões acerca do que é compreendido, através da memória social, como “subjetividade feminina”, trazendo outras perspectivas para o campo dos estudos da mídia e da Análise do Discurso, levando em consideração a fertilidade de corpus que, embora já não mais em circulação, seus ditos ainda resistem, ressoam, coexistem e atribuem sentidos.