FORMAÇÃO CONTINUADA EM ALFABETIZAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA: REFLEXÕES A PARTIR DE UMA COMUNIDADE DE PRÁTICA
Alfabetização Científica e Tecnológica; Comunidade de Prática; Formação de professores; Ensino de Ciências.
Diante dos desafios impostos pela desinformação e pelo avanço tecnológico, promover o ensino de Ciências de forma contextualizada e emancipadora, constitui uma exigência formativa para a construção de uma sociedade mais crítica e participa. Em razão disso, esta pesquisa concebe a Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT) como elemento fundamental para a formação crítica nos anos iniciais, reconhecendo também a influência da formação docente para a construção de compreensões e práticas pedagógicas. É diante dessa premissa, que formulamos o seguinte problema de pesquisa: “como as concepções sobre ACT se manifestam antes e depois de um processo formativo com professoras dos anos iniciais?” Nesse sentido, o objetivo principal desse estudo é analisar como concepções sobre a ACT se manifestam antes e depois de um processo de formação com professoras dos anos iniciais, no contexto de uma Comunidade de Prática (CoP). Compreendida como um espaço de diálogo, colaboração e compartilhamento de experiências, a CoP apresenta elementos didáticos que possibilitará a reflexão coletiva sobre o ensino de Ciências e favorecerá a construção, a mobilização e a ressignificação de saberes docentes relacionados à ACT. Nesse contexto, escolhemos como lócus da pesquisa a Escola Estadual Dom Jaime Câmara, no município de Mossoró/RN, localizada na zona urbana da cidade. Os sujeitos da pesquisa serão 8 professoras atuantes nos anos iniciais. Para alcançar o objetivo principal, definimos três objetivos específicos: a) discutir as concepções históricas, epistemológicas e pedagógicas que sustentam a Alfabetização Científica e Tecnológica, analisando suas implicações para o ensino de Ciências e para formação de professores dos anos iniciais; b) mapear a produção do conhecimento referente aos contextos formativos que utilizaram as Comunidades de Prática como um dispositivo didático para a formação docente com foco nos anos iniciais; c) compreender como, após a Comunidade de Prática, as/os docentes apresentam aprendizagens, ressignificações e desenvolvimento de saberes relacionados à Alfabetização Científica e Tecnológica. Para fins de demarcação epistemológica e pedagógica das discussão em torno da AC, utilizar-se-ão nessa pesquisa, prioritariamente, as contribuições de Nunes e Coelho, 2025; Sasseron & Carvalho 2011; Auler, 2003; Auler & Delizoicov, 2001; Santos & Silva, 2025; Lorenzetti, 2021 e Chassot, 2002. Metodologicamente, optamos pelo uso da abordagem qualitativa de caráter exploratória. Como técnica de produção de dados, utilizaremos o questionário, a observação, a entrevista semiestruturada, o mapeamento da produção do conhecimento referente aos contextos formativos que utilizaram as Comunidades de Prática como um dispositivo didático para a formação docente com foco nos anos iniciais, através do acesso as dissertações de 2019 a 2024 que estão disponíveis no catálogo de dissertação da CAPES. Para analisar os dados, optaremos pela Análise de Conteúdo de Bardin (2011) com auxílio do software Iramuteq na sistematização e no tratamento do corpus do textual. Espera-se que essa pesquisa contribua na compreensão dos processos de construção e ressignificação das concepções docente sobre ACT, bem como no fortalecimento da formação continuada de docentes dos anos iniciais.