A CONTRIBUIÇÃO DO AEE PARA O ENSINO E DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇAS COM A TEA NA EDUCAÇÃO INFANTIL SOB A PERSPECTIVA DA TEORIA DA SUBJETIVIDADE
Atendimento Educacional Especializado; Transtorno do Espectro Autista; Educação Infantil; Teoria da Subjetividade; Educação Inclusiva.
O ensino e o desenvolvimento de crianças com TEA na Educação Infantil constituem um importante desafio no contexto da educação inclusiva, exigindo práticas pedagógicas que reconheçam as singularidades das crianças e favoreçam sua participação, aprendizagem e desenvolvimento. Nesse cenário, o AEE, como serviço complementar e articulado à sala de ensino comum, assume contribuição relevante na construção de práticas educativas mais inclusivas. Assim, o objetivo desta pesquisa foi investigar como o AEE contribui para o ensino e o desenvolvimento de crianças com TEA na Educação Infantil, sob a perspectiva da Teoria da Subjetividade. O estudo fundamenta-se na Teoria da Subjetividade desenvolvida por González Rey (1997, 2002, 2005, 2017), em interlocução com as contribuições de Mitjáns Martínez (2019), Cunha (2016, 2023), Tacca (2014), Mantoan (2015), Kramer (2007) e Pletsch (2014), compreendendo o desenvolvimento como um processo singular, relacional e constituído nas experiências vividas pelos sujeitos. Metodologicamente, a investigação foi desenvolvida com base nos princípios da Epistemologia Qualitativa e da metodologia construtivo-interpretativa. Participaram do estudo quatro professoras, sendo duas professoras da sala de ensino comum e duas professoras do AEE, atuantes em duas UEIs da rede municipal de ensino de Mossoró-RN. Como instrumentos de construção das informações, foram utilizadas observações participantes, entrevistas semiestruturadas, redações e complementos de frases. As interpretações produzidas evidenciaram que o AEE contribui para o ensino e o desenvolvimento das crianças com TEA por meio das mediações pedagógicas, da construção de vínculos, da valorização das singularidades e da ampliação das possibilidades de comunicação, interação, autonomia e participação nas experiências escolares. Destacaram-se como potencialidades a flexibilização das práticas, o uso de recursos lúdicos, a escuta,
o acolhimento e a articulação entre o AEE e a sala de ensino comum. Entretanto, essa contribuição é atravessada por desafios relacionados ao tempo destinado ao planejamento colaborativo, à insuficiência de recursos pedagógicos e de apoio profissional, às fragilidades das redes de apoio, às dificuldades de diálogo com as famílias e à necessidade de formação continuada. Conclui-se que a contribuição do AEE não se restringe à utilização de recursos ou estratégias específicas, mas se constitui nas relações, nas mediações pedagógicas e na articulação entre os diferentes sujeitos e contextos educativos, favorecendo a construção de possibilidades de participação, aprendizagem e desenvolvimento das crianças com TEA na Educação Infantil.