MEMÓRIAS VARZEANAS: O RIO PIRANHAS-AÇU AO OLHAR DAS NARRATIVAS RIBEIRINHAS
Memória; Narrativa; Rio Piranhas-Açu; varzeanos.
A região da várzea do rio Piranhas-Açu, no município de Assú/RN, apresenta peculiaridades históricas e contrastes socioambientais marcados por ciclos de secas e cheias. Os varzeanos ribeirinhos do Açu acostumaram-se a ouvir as histórias sobre as peripécias do rio Piranhas-Açu, ou ainda, presenciaram ou sofreram com as transformações da várzea do rio provocadas pela natureza, ou pela ação humana, e assim esses acontecimentos ficaram em suas memórias. Dessa forma, a presente dissertação investiga de que modo os sujeitos varzeanos narram suas vidas a partir das relações estabelecidas com o rio, compreendendo-o não apenas como recurso hídrico, mas como um ator social estruturante da identidade local. Compreender os relatos e as experiências da população varzeana em relação ao rio Piranhas-Açu, por meio de suas memórias, permite um mergulho na história do povo da Várzea da cidade de Assú/RN. A pesquisa fundamenta-se na história oral, na memória e na história das sensibilidades, dialogando com autores como de Benjamin (1987), Circe Bittencourt (2018), Certeau (1998), Bosi (2004), entre outros estudiosos; além da consulta a documentos oficiais, artigos científicos e relatos de memorialistas, como Manoel Rodrigues de Melo (1940). Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa, centrada na análise de narrativas e histórias de vida de moradores da região, somado a ela, a pesquisa bibliográfica e documental. Como resultado da investigação, foi desenvolvida e aplicada uma sequência didática acompanhada de um jogo de tabuleiro pedagógico, promovendo o contato dos estudantes com as narrativas dos anciãos e com a história do território. Conclui-se que a valorização das perspectivas afetivas, econômicas e sociais dos varzeanos, aliada ao rigor científico, viabiliza uma produção acadêmica comprometida com o conhecimento histórico, com destaque para âmbito local e o reconhecimento dos ribeirinhos como agentes históricos.