PRODUÇÃO E CIRCULAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO LOCAL: MORADA NOVA; HISTÓRIA EM CONSTRUÇÃO (2020)
Ensino de História, Livro Didático, História Local, Morada Nova.
A presente pesquisa tem como objeto de estudo a produção e circulação do livro didático Morada Nova: História em Construção (2020), publicado pelas Edições IPDH. O estudo busca compreender como se estrutura a elaboração e a disseminação de um material didático de caráter regional, produzido fora do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) — política pública reconhecida como central na qualificação do livro didático no Brasil. A investigação analisa os agentes envolvidos na criação da obra, as condições de sua produção e as estratégias de circulação nas escolas da rede pública municipal, evidenciando como esse percurso reflete disputas simbólicas, políticas e culturais em torno da escrita da História. Procura-se compreender, ainda, de que modo o livro constrói uma narrativa histórica local, quais sujeitos são valorizados e como essa proposta contribui para o fortalecimento da identidade local e para a produção de enquadramentos de memória. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada na análise documental e na revisão bibliográfica sobre políticas públicas do livro didático, história local e ensino de História. O referencial teórico apoia-se na História Cultural, articulando-se aos conceitos de enquadramento da memória, de Michael Pollak, e lugares de memória, de Pierre Nora. Os resultados indicam que Morada Nova: História em Construção, por não passar pelos critérios avaliativos do PNLD, apresenta especificidades em sua elaboração e circulação. Por um lado, representa uma iniciativa relevante de valorização da história local e de fortalecimento das identidades regionais; por outro, revela lacunas metodológicas e conceituais ao não atender plenamente aos parâmetros pedagógicos consolidados no campo do ensino de História. Ainda assim, a obra se configura como um lugar de memória, na medida em que institucionaliza narrativas locais e produz sentidos coletivos sobre o passado, atuando como um dispositivo de mediação entre história, memória e identidade no espaço escolar.