As histórias que não te contam: cultura Hip-Hop, ensino de História e as escrevivências da Escola Integrada 2 de Maio em Fortaleza (2010–2026)
Ensino de História. Escrevivências. Hip-Hop. Colonialismo. Africanidade.
As histórias que não te contam: cultura Hip-Hop, ensino de História e as escrevivências da Escola Integrada 2 de Maio em Fortaleza (2010–2026) investiga as experiências, memórias e narrativas produzidas por uma comunidade escolar situada na periferia de Fortaleza, Ceará, a partir da experiência docente do autor como professor de História da instituição. De abordagem qualitativa e base etnográfica, a pesquisa problematizou as marcas do racismo e do colonialismo no cotidiano escolar e as formas de resistência construídas pelos sujeitos que vivenciam esse espaço. Partiu-se da seguinte questão: quando sujeitos historicamente silenciados são estimulados a narrar suas próprias experiências, o que eles têm a contar? E, quando a história local é escovada a contrapelo, quais narrativas e memórias emergem? Para responder a essas questões, foram analisados relatos produzidos por alunos, ex- alunos e pelo próprio autor, sobretudo na forma de crônicas e poemas, tomados como fontes para a compreensão das experiências e dos sentidos atribuídos pela comunidade escolar ao seu cotidiano e ao território em que está inserida. A investigação fundamentou-se na observação participante e dialogou com as discussões suscitadas pelos vinte anos da Lei n.o 10.639/2003 e pelos cinquenta anos de resistência e produção cultural do movimento Hip-Hop. As narrativas analisadas evidenciaram diferentes dimensões da violência urbana e das permanências de uma violência de matriz colonial, revelando experiências relacionadas à morte, ao sofrimento psíquico, às opressões raciais e sociais e às estratégias coletivas de resistência. Os resultados indicaram que a produção e a socialização dessas narrativas favoreceram processos de ressignificação do território e da experiência escolar, de fortalecimento dos vínculos comunitários e de reconhecimento dos sujeitos como produtores de memória e conhecimento histórico. Ao narrarem suas próprias experiências, alunos, ex-alunos e demais integrantes da comunidade escolar confrontaram versões hegemônicas da história e produziram outras possibilidades de interpretação do cotidiano e da história local. Como produto educacional, foi elaborado um Diário Digital de histórias, memórias e afetos, destinado à biblioteca da Escola Integrada 2 de Maio, reunindo manifestações literárias produzidas pela comunidade escolar no período investigado e constituindo-se como acervo de memória e recurso para práticas de ensino de História voltadas à valorização das vozes e experiências periféricas.