A PARTICIPAÇÃO DAS MULHERES NA CONSTRUÇÃO DO P.A. ALTO DA FELICIDADE IV (MARCOS FREIRE) E SUA ATUAÇÃO POLÍTICA EM PENDÊNCIAS-RN
Mulheres assentadas; Participação política; Reforma agrária; Memória social.
Este trabalho tem como propósito investigar a participação das mulheres na construção do assentamento Projeto de Assentamento (P.A.) Alto da Felicidade IV (Marcos Freire) e sua atuação política na cidade de Pendências-RN. Historicamente, a presença feminina na reforma agrária foi frequentemente silenciada, sendo suas narrativas e contribuições relegadas pela literatura hegemônica, predominantemente masculina. Assim, o objetivo geral desta pesquisa é discutir sobre as mulheres que tiveram sua participação nos processos históricos do referido Projeto de Assentamento. A investigação se norteará nas seguintes questões: as mulheres participaram da criação do assentamento? Qual tem sido sua atuação política no assentamento? Quais são suas concepções sobre o assentamento? De que forma este estudo pode contribuir para o conhecimento das gerações futuras acerca dessa temática? Com base nesses questionamentos, delimitam-se os seguintes objetivos específicos: 1) contextualizar a atuação e o envolvimento das mulheres desde a fase inicial de estruturação do assentamento, acompanhando suas trajetórias históricas, sociais e políticas; 2) analisar de que modo as relações de gênero, articuladas às dimensões de classe, raça e condição rural, interferiram nas experiências, trajetórias e formas de participação das mulheres na construção e organização do Assentamento Alto da Felicidade IV e 3) desenvolver um produto educacional, na forma uma cartilha histórico-pedagógica, sobre as experiências das mulheres do Assentamento Alto da Felicidade IV, contribuindo para a preservação da história local e para o ensino de História. Trata-se de um estudo qualitativo (Minayo, 2014; Stake, 2011), fundamentado na História Oral, utilizando como instrumentos de coleta de dados a realização de rodas de conversa com mulheres assentadas, em um número estimado de 5 a 10 participantes e pesquisa documental, dialogando com Gil (2008), Flick (2009) e Cellard (2008). A análise dos dados será realizada por meio da técnica de Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2016). No que se refere ao embasamento teórico sobre gênero, classe e invisibilidade do trabalho feminino no campo, dialogamos com Saffioti (2015) e Paulilo (2012), além de reflexões acerca da reforma agrária e organização dos assentamentos a partir de Carvalho (2004), Fernandes (2000) e Wanderley (2009). O recorte da pesquisa contempla mulheres assentadas que participaram do processo de formação e consolidação do assentamento, em número estimado entre cinco e dez colaboradoras. Pretende- se identificar suas trajetórias, experiências e formas de atuação política, valorizando suas narrativas enquanto sujeitos históricos. Nesse sentido, este projeto almeja contribuir para o reconhecimento do protagonismo feminino no contexto da reforma agrária, fortalecendo a memória coletiva do assentamento e produzindo uma cartilha histórico-pedagógica como instrumento de valorização da história local e de apoio ao ensino de História.