QUEM SOU EU? – CINEMA E REFLEXÃO FILOSÓFICA NA ESCOLA ESTADUAL MANOEL DE CASTRO FILHO
Filosofia; Metodologias ativas; Cinema; Emancipação; Ensino médio.
Esta dissertação investigou como o ensino de Filosofia, articulado a metodologias ativas e ao cinema, pode promover a emancipação intelectual e social de estudantes do Ensino Médio em contexto de vulnerabilidade. Realizou-se pesquisa-ação com a turma do 3º ano B da EEMTI Governador Manoel de Castro Filho (Quixeré-CE), envolvendo exibição e debate de filmes (A Onda, Carandiru e Central do Brasil), rodas dialógicas, uma Maratona Filosófica e a produção de curtas-metragens. O estudo combinou análise documental do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e dos marcos normativos (BNCC/2018 e DCNEM/2024) com instrumentos qualitativos (questionários, relatos e registros audiovisuais). À luz de Marx, Freire, Saviani, Giroux e Vygotsky, examinou-se a tensão entre a reprodução de práticas bancárias (disciplina rígida, hierarquia e centralidade da avaliação) e as fissuras emancipadoras abertas por práticas dialógicas, interdisciplinares e mediadas por recursos audiovisuais. Os resultados indicam aumento da autonomia intelectual, do protagonismo estudantil e da apropriação de conceitos filosóficos, além do desenvolvimento de competências criativas, sociais e metacognitivas. As temáticas dos curtas (“Dinheiro e Construção Social”; “Bullying, Censura e Racismo”; “A Luta pela Educação segundo Paulo Freire”) evidenciaram leitura crítica da realidade e autoria narrativa. Persistem, contudo, obstáculos materiais, culturais e organizacionais que limitam a democratização da gestão e a efetivação do PPP. Conclui-se que o cinema, integrado às metodologias ativas, é via potente para materializar, no cotidiano escolar, o horizonte da justiça curricular e converter o ensino de Filosofia em práxis formativa, crítica e socialmente referenciada.