FILOSOFIA E LITERATURA DE CORDEL: O CORDEL COMO PRÁTICA FILOSÓFICA
Ensino de Filosofia; Literatura de Cordel; devir; Heráclito; autoria discente.
A presente pesquisa investiga a Literatura de Cordel como mediação filosófico-pedagógica no ensino de Filosofia no Ensino Médio, compreendendo o cordel não como recurso ilustrativo, atividade decorativa ou simples estratégia de motivação, mas como prática filosófica situada e linguagem do filosofar. O problema que orienta o estudo nasce das dificuldades de participação discente diante da linguagem conceitual abstrata da Filosofia e da necessidade de criar mediações que aproximem os estudantes do exercício filosófico sem reduzir sua exigência crítica, argumentativa e conceitual. O objetivo geral consiste em analisar como a Literatura de Cordel pode favorecer a participação dos estudantes, a leitura crítica, a autoria e a elaboração conceitual a partir do problema do devir/vir-a-ser em Heráclito. A pesquisa articula ensino de Filosofia, experiência, diálogo, linguagem poética, cultura popular e autoria discente, tomando o devir como eixo conceitual para pensar mudança, tempo, identidade, permanência, transformação e recomeço. A poesia “Recomece”, de Bráulio Bessa, será mobilizada apenas como abertura sensível para a problematização inicial, sem deslocar a centralidade da Literatura de Cordel nem substituir o estudo filosófico de Heráclito. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza interventiva, orientada pela pesquisa-ação, a ser desenvolvida na Escola de Ensino Médio Manuel Matoso Filho, em Russas-CE, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da UERN. A intervenção será organizada em sete oficinas filosófico-educativas, envolvendo diagnóstico inicial, leitura, escuta, problematização, estudo do devir, aproximação com a linguagem cordelista, planejamento, escrita, revisão, socialização e avaliação formativa. O produto educacional será o cordel filosófico-educativo, compreendido como resultado de um percurso formativo no qual os estudantes elaboram, em linguagem cordelista, sentidos filosóficos ligados à experiência, ao devir e ao recomeço. A pesquisa busca contribuir para práticas de ensino de Filosofia mais dialógicas, situadas, críticas e autorais na escola pública.