ENSINO DE FILOSOFIA ANTIRRACISTA: CURRÍCULO, FILOSOFIA AFRICANA E EXPERIÊNCIAS FORMATIVAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Ensino de Filosofia Antirracista; Filosofia Africana; Racismo Epistêmico; Pluralidade Epistemológica; Justiça Cognitiva.
Esta pesquisa investiga as possibilidades de construção de um Ensino de Filosofia Antirracista fundamentado na Filosofia Africana, compreendendo que o racismo epistêmico presente nos currículos escolares ultrapassa a ausência de autores africanos e afro-brasileiros, estando relacionado aos critérios históricos que definiram quais tradições foram reconhecidas como filosóficas. O estudo tem como objetivo analisar de que maneira uma proposta pedagógica baseada na Filosofia Africana pode ampliar a compreensão dos estudantes acerca da pluralidade das tradições filosóficas e contribuir para o enfrentamento do racismo epistêmico na Educação Básica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter intervenção, realizada em uma escola privada de Caicó/RN, envolvendo estudantes do 6o ano do Ensino Fundamental. Como procedimentos metodológicos, foram desenvolvidos análise documental da coleção de livros didáticos adotada pela instituição, aplicação de questionários diagnósticos e finais, oficinas pedagógicas fundamentadas na Filosofia Africana, registros em diário de campo e análise dos dados produzidos durante a intervenção. O referencial teórico articula contribuições da Filosofia Africana, da crítica decolonial e da educação antirracista, dialogando, entre outros, com Fanon, Quijano, Gonzalez, Noguera, Ramose, Wiredu e Freire. Os resultados evidenciam que a organização curricular e os livros didáticos reproduzem uma narrativa predominantemente eurocêntrica, restringindo o reconhecimento da diversidade das tradições filosóficas. A intervenção pedagógica favoreceu a ampliação das concepções dos estudantes sobre o filosofar, possibilitando o reconhecimento de diferentes matrizes epistemológicas e problematizando os processos históricos de exclusão presentes na constituição do conhecimento filosófico. Conclui-se que um Ensino de Filosofia Antirracista demanda não apenas a inclusão de novos autores no currículo, mas uma reconstrução epistemológica da própria disciplina, comprometida com a pluralidade filosófica, a justiça cognitiva e a democratização do conhecimento.