Banca de QUALIFICAÇÃO: EDUARDA ALVES DE OLIVEIRA PAULA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : EDUARDA ALVES DE OLIVEIRA PAULA
DATA : 10/02/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem
TÍTULO:

DISCURSOS À MESA: A METÁFORA ALIMENTAR COMO REPRESENTAÇÃO DA IDENTIDADE E SEXUALIDADE EM NÉLIDA PIÑON


PALAVRAS-CHAVES:

Metáfora alimentar; Identidade feminina; Sexualidade feminina; Nélida Piñon; Conto literário.

 


PÁGINAS: 63
RESUMO:

Esta pesquisa tem como objetivo investigar como as representações metafóricas dos alimentos
manifestam dimensões identitárias e sexuais da personagem feminina no conto Colheita, de
Nélida Piñon. Parte-se do pressuposto de que os alimentos, mais do que um elemento essencial
à subsistência, constituem-se como um sistema simbólico capaz de articular sentidos múltiplos,
enredados na cultura em meio as relações sociais, convertendo-se em um dispositivo analítico
potente para a compreensão de aspectos relacionados ao feminino tanto no espaço público
quanto no âmbito privado. Na ficção e, especificamente, no conto Colheita de Nélida Piñon, a
comida opera como elemento simbólico que participa ativamente dos momentos cotidianos das
personagens, revelando manifestações profundas sobre a realidade vivenciada por esses
indivíduos, os quais reverberam na realidade social. Tal dinâmica se efetiva a partir da metáfora
alimentar, que se constitui como recurso fundamental na construção desse universo simbólico,
produzindo sentidos que ultrapassam a materialidade do alimento e se afirmam como
estruturadores do pensamento, da experiência e das formas de subjetivação. Assim, o estudo
propõe: (I) examinar os sentidos simbólicos por meio dos quais as metáforas alimentares
evidenciam aspectos identitários e sexuais na trama; (II) analisar como as representações
alimentares, enquanto construções metafóricas, constroem esses discursos; (III) investigar de
que modo os alimentos, inseridos no contexto narrativo, permite dialogar ou tensionar com
heranças culturais ou tradições sociais, especialmente no que se refere aos papeis de gênero
atribuídos às mulheres. O referencial teórico ancora-se na articulação entre três eixos principais:
a Teoria da Metáfora Conceptual proposta por Lakoff e Johnson (2002); os estudos alimentares
apoiados nas contribuições de DaMatta (1986), Barcellos (2017), Climent-Espino (2019) e
Santos (2018); e os estudos de gênero ancorado nas contribuições de Beauvoir (1970), Saffioti
(1987), Biroli (2014) e Louro (2000). A pesquisa é de natureza bibliográfica e adota uma
abordagem qualitativa de análise literária. O corpus é composto pelo conto Colheita, que integra
a coletânea Sala de Armas, de Nélida Piñon (2025). A escolha justifica-se pela recorrência de
referências a alimentos e práticas alimentares associadas ao cotidiano feminino, funcionando
como elementos simbólicos fundamentais para a composição narrativa. Como procedimentos
metodológicos, o estudo envolve levantamento bibliográfico, fichamento teórico e análise
crítica e interpretativa das ocorrências alimentares na narrativa, considerando aspectos
sensoriais, rituais, espaciais, entre outros. Os resultados parciais indicam que as metáforas
alimentares não atuam como ornamentos linguísticos, mas como elementos centrais na
organização do enredo, contribuindo para a construção de uma identidade feminina marcada
pela ambivalência entre sujeição e resistência. A sexualidade feminina, embora presente de
forma implícita, será aprofundada em etapa posterior da pesquisa, dando continuidade à análise
proposta. Dessa forma, conclui-se que, o cotidiano alimentar, longe de constituir um cenário
neutro ou meramente funcional, configura-se como um lugar privilegiado de produção de
sentidos identitários, no qual o feminino é simultaneamente normatizado e reconfigurado. Essa
ambivalência reforça a pertinência das metáforas alimentares como chave interpretativa para
compreender os processos de subjetivação da protagonista, abrindo caminho para
aprofundamentos posteriores que articulem, de modo mais direto, identidade, sexualidade e os
discursos naturalizados e subvertidos no interior da narrativa.

 


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - LUIZ EDUARDO DA SILVA ANDRADE - UFAL
Interna - 12233 - CONCÍSIA LOPES DOS SANTOS
Externa ao Programa - 6140 - MÁRCIA SOCORRO FERREIRA DE ANDRADE SILVA - nullPresidente - 5378 - VERONICA PALMIRA SALME DE ARAGÃO
Notícia cadastrada em: 31/01/2026 13:33
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