Banca de DEFESA: LEILA RUTE GONÇALVES SOARES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LEILA RUTE GONÇALVES SOARES
DATA : 26/02/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem
TÍTULO:

ENTRE PAREDES E SILÊNCIOS: CONFINAMENTO ESPACIAL E A SUBJETIVIDADE DA MULHER NEGRA EM SOLITÁRIA, DE ELIANA ALVES CRUZ


PALAVRAS-CHAVES:

Quarto de empregada. Personagens negras. Romance brasileiro contemporâneo. Interseccionalidade. Fabulação crítica.


PÁGINAS: 84
RESUMO:

O presente trabalho aborda as configurações de corpo enquanto espaço de enunciação política, memória e tempo no romance Solitária (2022), de Eliana Alves Cruz. Observando como a obra materializa debates sobre o espaço doméstico, partindo do pressuposto de que, ao ser transposto para a ficção por Eliana Alves Cruz, deixa de atuar como mero pano de fundo narrativo e passa a funcionar como um instrumento discursivo, por meio do qual se evidenciam as permanências da violência colonial e se insinuam possibilidades de resistência e reescrita simbólica. Como objetivo geral, busca-se compreender de que modo Solitária reinscreve o corpo feminino negro na narrativa literária brasileira, subvertendo o espaço doméstico como locus de subalternidade e transformando-o em território de memória e fabulação crítica. Entre os objetivos específicos, pretende-se discutir a constituição das geografias da memória no Brasil, examinando como o racismo estrutural e a branquitude moldam a dialética de exclusão e pertencimento da população negra nos interiores privados. A pesquisa avança ao investigar a arquitetura doméstica enquanto tecnologia de confinamento que reproduz a estrutura colonial, culminando na análise da subjetivação política em Solitária (2022). Para tanto, articulam-se os conceitos de Afrografia da Memória e Fabulação Crítica como estratégias fundamentais de resistência narrativa e produção de novos sentidos espaciais. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e interpretativa, e trabalho apoia-se em uma leitura intertextual e comparativa, sustentada por aportes teóricos de Saidiya Hartman (2019; 2021), Lélia Gonzalez (1988), Cida Bento (2022), Denise Ferreira da Silva (2019), Patricia Hill Collins (2000), Leda Maria Martins (2021), entre outras. Entre os resultados esperados, destaca-se a compreensão do romance de Eliana Alves Cruz como um gesto que reinscreve a história das mulheres negras no espaço literário, ressignificando o lar como lugar de memória e enunciação política. A análise evidencia, assim, como a literatura contemporânea negra brasileira não apenas revisita o passado colonial, mas também o reconfigura, produzindo novas formas de imaginar o corpo, o tempo e o habitar.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 8031 - DAIANY FERREIRA DANTAS
Externa à Instituição - DENISE CARVALHO DOS SANTOS RODRIGUES - UNICAMP
Interna - 11063 - LEILA MARIA DE ARAUJO TABOSA
Notícia cadastrada em: 19/02/2026 14:45
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