A ORALITURA SAGRADA DA JUREMA COMO MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA DA ANCESTRALIDADE
Oralitura. Jurema Sagrada. Ancestralidade Afro-Indígena Brasileira. Sociologia da Imagem. Tempo Espiralar.
Investigo nesta dissertação os rituais de Jurema Sagrada no município de Areia
Branca/RN, especificamente no terreiro de Jurema do Sr. José Pelintra das Almas,
como performances de Oralitura que manifestam narrativas afro-indígenas através
de metáforas e alegorias da ancestralidade. Baseado principalmente nas teorias de
Leda Maria Martins (2021) e Silvia Rivera Cusicanqui (2015), este estudo parte do
pressuposto de que a literatura, enquanto fenômeno vivo e indissociável do corpo e
da comunidade que a produz, manifesta-se como uma episteme literária corpórea
que desenvolve, pela performance, a construção semântica de suas narrativas
ancestrais. Como objetivo geral, busco analisar como as performances da Jurema
Sagrada evocam e invocam alegorias enraizadas na confluência da memória afro-
indígena brasileira e, consequentemente, potencializam politicamente uma literatura
que resiste às rasuras do processo colonial. Para tanto, fundamento-me
teoricamente nos conceitos de Oralitura e Tempo Espiralar de Leda Maria Martins
(2021) e na Sociologia da Imagem de Silvia Rivera Cusicanqui (2015).
Metodologicamente, foi realizada uma pesquisa de campo, entrevistas, leituras
comunitárias, procedimentos de desfamiliarização e leitura alegórica das
performances observadas. Como resultado, evidencio que a Jurema Sagrada
desponta, em toda sua plenitude literária, política e social, como um território de
insurgência da memória afro-indígena, em que o corpo assume o papel de guardião
espiralar das narrativas da ancestralidade que a colonização não conseguiu apagar.