PELE DE OGUM: A REPRESENTATIVIDADE DA SUBJETIVIDADE DO HOMEM NEGRO EM “O AVESSO DA PELE” DE JEFERSON TENÓRIO
Romance contemporâneo; Personagem negro; Drama existencial; Racismo estrutural.
Com o intuito de instigar um re-olhar ao existir das pessoas negras na sociedade brasileira
contemporânea a partir da literatura, este trabalho tem por objetivo principal analisar como
está construída a subjetividade do homem negro no romance “O Avesso da Pele” (2020), do
escritor Jeferson Tenório, a partir da narrativa do personagem Henrique, contada pelo seu
filho Pedro. Destacamos três categorias principais que delineiam as diferentes camadas
construídas para o personagem a serem analisadas no decorrer desta pesquisa: suas relações
romântico-afetivas, seu papel paterno e suas interações profissionais. Para tanto,
utilizaremos a voz de Fanon (2020), González e Hasenbalg (2022), hooks (2022),
Dalcastagné (2005), Duarte (2014), Tenório (2020), entre outros. Esta trata-se de uma
pesquisa de metodologia qualitativa e além de desvelar as camadas que compõem a
representatividade da subjetividade do homem negro na obra “O Avesso da Pele” de
Tenório, este trabalho visa contribuir, também, para um diálogo mais amplo e inclusivo
sobre a experiência negra, bem como refletir sobre as suas diversas expressões na literatura
de autoria negra e, por extensão, nas relações com sociedade brasileira contemporânea. Por
fim, ao analisarmos a construção literária do personagem Henrique, explorando suas
relações romântico-afetivas, seu papel como pai e professor, torna-se evidente que as
frustrações oriundas da vivência deteriorada pelo racismo na sociedade em que estava
inserido o conduziram a um estado de adoecimento mental, resultando em sua desistência,
mesmo antes do fatídico encontro com o policial que culminou em seu desfecho trágico.
Este desfecho, tristemente, serve como representação contundente da realidade, em que,
para muitas pessoas negras, o esgotamento mental frequentemente precede a morte física.