REPRESENTAÇÕES, PRÁTICAS E PERFORMATIVIDADE DE GÊNERO NA EDUCAÇÃO: ESTUDO EM UMA ESCOLA CIDADÃ INTEGRAL TÉCNICA (ECIT) NO SERTÃO DA PARAÍBA
Gênero; performatividade; representações; educação; sertão; Paraíba.
Esta dissertação analisa as representações, práticas e performatividades de gênero no cotidiano de uma Escola Cidadã Integral Técnica (ECIT) localizada no alto sertão paraibano. O objetivo geral foi compreender como representações e práticas de gênero atravessam as experiências e performatividade dos estudantes no ambiente escolar, considerando mecanismos institucionais de regulação, negociações cotidianas, interpretações docentes e moralidades regionais, religiosas e culturais que incidem sobre pertencimento, reconhecimento e permanência. A pesquisa ancora-se teoricamente nas contribuições de Judith Butler sobre performatividade de
gênero, Roger Chartier acerca das representações sociais e Durval Muniz de Albuquerque Júnior sobre a construção discursiva do Nordeste e do sertão, dialogando ainda com autoras e autores como Michel Foucault, Guacira Lopes Louro, Berenice Bento e bell hooks. Metodologicamente, adotou-se abordagem qualitativa de inspiração etnográfica, com observação participante, entrevistas semiestruturadas com professores e entrevistas projetivas com estudantes maiores de 18 anos, mediadas por recursos audiovisuais disparadores. O
material produzido foi analisado por meio da análise de conteúdo, articulada ao referencial teórico da investigação. As análises evidenciaram que a escola constitui um território ambíguo, no qual coexistem abertura institucional ao diálogo, projetos pedagógicos voltados à diversidade, mecanismos sutis de vigilância, regulação normativa dos corpos e silenciamentos diante de experiências dissidentes de gênero e sexualidade. Constatou-se que normas de gênero operam por micropráticas cotidianas, como brincadeiras, olhares, comentários, ocupação dos espaços e formas seletivas de reconhecimento. As moralidades religiosas, familiares e regionais também atravessam as falas de estudantes e docentes, indicando que a escola não está isolada das dinâmicas sociais do território. O campo revelou fissuras produzidas por vínculos afetivos, redes silenciosas de cuidado e alianças entre estudantes e profissionais. Conclui-se que o gênero é abordado na escola mesmo quando não é nomeado diretamente, manifestando-se na organização dos espaços, na regulação dos afetos e na distribuição desigual do reconhecimento social. A pesquisa contribui para os campos da Educação, dos Estudos de Gênero e das Ciências Sociais e Humanas ao evidenciar a necessidade de práticas escolares concretas de acolhimento, proteção e legitimação das existências dissidentes.