CRIA(R)TIVIDADE: O PROCESSO CRIATIVO DE ARTISTAS MOSSOROENSES COMO POSSIBILIDADE DE CAMINHO AO SI-MESMO
processo criativo; individuação; Nise da Silveira; psicologia analítica; arte.
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A presente pesquisa propõe analisar o processo criativo de artistas mossoroenses, com recorte nas artes visuais e literárias, a partir do tripé epistemológico de Nise da Silveira e do conceito de individuação da Psicologia Analítica, buscando compreender sua relação com movimentos de aproximação ao Si-Mesmo. Fundamenta-se nas contribuições de Carl Gustav Jung acerca do inconsciente, do símbolo, da função transcendente e da individuação, bem como nos princípios do afeto catalisador, das forças autocurativas do inconsciente e da emoção de lidar, sistematizados a partir da práxis do tripé epistemológico de Nise da Silveira. Adota abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, articulando pesquisa bibliográfica, método epistolar e perspectiva etnobiográfica. O campo empírico foi constituído por três artistas-participantes residentes em Mossoró, selecionados pela técnica de bola de neve, sendo dois vinculados predominantemente às artes literárias e um às artes visuais. Os dados foram produzidos mediante entrevistas narrativas, orientadas por roteiro semiestruturado, e materiais complementares cedidos pelos participantes. As entrevistas foram transcritas integralmente e processadas separadamente no software IRaMuTeQ, por meio da análise de similitude e da Classificação Hierárquica Descendente. A interpretação articulou os resultados lexicais, a leitura integral das narrativas, os materiais complementares, a amplificação simbólica e o referencial teórico, resultando na construção de famílias analíticas. Os resultados evidenciam que o processo criativo assume configurações singulares, atravessadas por histórias de vida, vínculos, territórios, materiais, conflitos e referências culturais. Em Raio de Sol, a criação favorece a expressão, a organização e a elaboração de conteúdos interiores; em Marcus Vinícius, articula memória, corpo, palavra, coletividade e transformação de experiências de vergonha; em Débora, constitui espaço de autorregulação, reconhecimento de afetos, experimentação material e diferenciação dos papéis sociais. O tripé epistemológico manifesta-se de modo distinto em cada trajetória, permitindo compreender as condições afetivas, relacionais e materiais da criação, sem reduzir as forças autocurativas à ideia de cura. Conclui-se que o processo criativo pode participar de movimentos de diferenciação, integração psíquica e ampliação da consciência, constituindo uma possibilidade de caminho ao Si-Mesmo, sem representar garantia, conclusão ou forma única de individuação.