MUDANÇAS CLIMÁTICAS E A DISPONIBILIDADE PLUVIOMÉTRICA PARA CULTIVOS DE SUBSISTÊNCIA EM MUNICÍPIOS DA SERRA DE SÃO MIGUEL/RN
Disponibilidade hídrica. Agricultura de sequeiro. Rendimento agrícola. Semiárido potiguar.
As mudanças climáticas podem comprometer a disponibilidade hídrica assim como afetar a agricultura de sequeiro no Semiárido brasileiro. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo principal analisar a relação entre a disponibilidade hídrica de chuvas e o desempenho de cultivos agrícolas de subsistência, bem como o uso de estratégias de adaptação em municípios da Serra de São Miguel, no Semiárido do Rio Grande do Norte. A pesquisa adotou uma abordagem quantitativa, com revisão bibliográfica, análise da variação da chuva e da temperatura, assim como a elaboração do balanço hídrico climatológico, e a avaliação de projeções climáticas, além de investigar a relação entre a precipitação e o rendimento agrícola e as perdas de áreas cultivadas. Os dados climáticos foram obtidos através da plataforma DataClimaBR e os dados dos cultivos foram obtidos através Pesquisa Agrícola Municipal, disponibilizada pelo IBGE. Os resultados mostraram uma grande variação das chuvas entre os anos de 1995 e 2024, com anos chuvosos e períodos de seca severa. A precipitação teve uma tendência discreta de redução, com pequeno significado estatístico, enquanto a temperatura aumentou entre 0,8 °C e 0,9 °C ao longo do período analisado. As variações das chuvas influenciaram o rendimento do milho e do feijão. As maiores perdas de áreas cultivadas ocorreram no ano de 1998 e entre 2012 e 2017. Desse modo, conclui-se que a disponibilidade de água das chuvas é importante para a agricultura de sequeiro, mas seus efeitos também dependem da distribuição temporal das chuvas além de outros fatores produtivos.