CARTILHA INFORMATIVA COMO RECURSO EDUCACIONAL PARA ENFRENTAR OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO SEXUAL E REPRODUTIVA NO ESPAÇO ESCOLAR
educação sexual, métodos contraceptivos, infecções sexualmente transmissíveis.
O presente estudo investiga a relevância e os desafios da educação sexual e reprodutiva nas escolas brasileiras, um tema urgente diante de dados de saúde pública alarmantes, como os mais de 273 mil nascimentos de mães adolescentes de 15 a 19 anos em 2024 (cerca de 11% do total nacional) e o avanço de mais de 50 mil casos de infecção por HIV para quadros de AIDS entre jovens de 15 a 24 anos no período de 2011 a 2021. O trabalho ressalta que a educação sexual deve ir além dos aspectos anatômicos e fisiológicos, englobando dimensões sociais, culturais, afetivas e éticas fundamentais para o autocuidado e tomadas de decisões conscientes. No entanto, a prática pedagógica enfrenta barreiras históricas como a escassez de recursos didáticos em manuais tradicionais de Biologia, carências severas na formação continuada dos professores, tabus e silenciamento no núcleo familiar e resistências decorrentes de posturas conservadoras no ambiente político-pedagógico. Para enfrentar esses desafios, a pesquisa teve como objetivo principal desenvolver uma cartilha informativa voltada para apoiar a prática docente no Ensino Médio. O estudo, de caráter aplicado e descritivo com abordagem mista (qualitativa e quantitativa), envolveu a participação de 49 estudantes das 1a e 3a séries do Ensino Médio de uma escola estadual de tempo integral e 15 professores de Biologia e Ciências da rede pública. A intervenção pedagógica compreendeu um levantamento diagnóstico, a aplicação de sequências de ensino baseadas em metodologias ativas e ensino por investigação — como salas de aula invertidas, peças teatrais, dinâmicas sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e debates sobre contracepção —, seguida pela avaliação dos resultados pós-atividade e a validação do produto educativo gerado. Os diagnósticos iniciais revelaram sérias lacunas na comunicação familiar: 61% dos estudantes indicaram que seus pais ou responsáveis não conversavam com eles sobre educação sexual, o que fazia com que 46% recorressem aos amigos como principal fonte de diálogo. Adicionalmente, embora 88% afirmassem ter conhecimentos gerais sobre métodos contraceptivos e ISTs, 18% admitiram não saber o funcionamento prático deles. Após a realização das atividades lúdicas e investigativas, as quais tiveram excelente aceitação — com 92% dos alunos apontando que jogos facilitam a aprendizagem —, o nível de conhecimento autorrelatado sobre prevenção e biologia atingiu 100% dos discentes. O constrangimento em debater o assunto em sala de aula também caiu de 22% para 14%. Entre os docentes, 80% apontaram a escassez de recursos instrucionais apropriados como o principal obstáculo, e 100% apoiaram o uso de cartilhas paradidáticas para suprir as lacunas dos livros tradicionais. Com base nessas demandas, a cartilha informativa foi estruturada com temas de anatomia, métodos contraceptivos e IST’s, integrando também eixos de cidadania propostos pelos participantes, como gênero, sexualidade, aborto, consentimento, prevenção à violência sexual e indicação de redes de proteção social. Em conclusão, o estudo demonstra que a escola se consolida como um espaço estratégico de proteção e orientação aos jovens, evidenciando que o progresso na área requer ambientes seguros de escuta, capacitação docente contínua e recursos didáticos lúdicos e cientificamente embasados.