CONECTANDO IMAGENS, CIÊNCIA E COTIDIANO: um e-book imagético sobre doenças crônicas não transmissíveis como produto educacional para o Ensino de Ciências na Educação Básica
Ensino de Ciências. Alfabetização científica. Educação em saúde. Doenças crônicas não transmissíveis. Recursos imagéticos. Produto educacional.
Estudar Ciências na Educação Básica implica em refletir e interpretar fenômenos que atravessam a vida cotidiana. Entre esses fenômenos estão as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), frequentemente presentes nas experiências familiares antes mesmo de serem formalmente estudadas na escola. Esta dissertação tem como objetivo analisar e fundamentar as potencialidades pedagógicas de um e-book predominantemente imagético, culturalmente contextualizado e voltado à abordagem de DCNT no Ensino de Ciências. Trata-se de pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, com procedimentos bibliográficos e documentais e desenvolvimento de produto educacional. A fundamentação articula alfabetização científica, ensino por investigação, alfabetização em saúde, multimodalidade e contextualização sociocultural. O produto foi desenvolvido como uma narrativa visual de aproximadamente 30 páginas, organizada para favorecer a leitura de relações entre corpo humano, fatores associados ao risco, hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, possíveis agravos e práticas de proteção à saúde. A opção por imagens sem texto explicativo extenso busca deslocar o estudante da recepção passiva para a observação, formulação de hipóteses, comparação, argumentação e construção coletiva de explicações, sempre com mediação docente. Defende-se uma educação em saúde que evite culpabilização individual e estigmatização corporal e reconheça os determinantes sociais, culturais e ambientais da saúde. A contextualização nordestina é assumida como estratégia de pertencimento e aproximação entre ciência escolar e território. A análise teórico-propositiva indica que o e-book possui coerência pedagógica para funcionar como dispositivo de investigação e alfabetização científica e em saúde, desde que integrado a situações didáticas direcionadas e acessíveis. Conclui-se que a força do produto não reside apenas em ilustrar doenças, mas em transformar imagens em perguntas e perguntas em oportunidades de compreender cientificamente o corpo, o cuidado e a vida cotidiana.