Histerese Térmica e Transições de Fases Magnéticas em Bicamadas das Terras Raras Dyn/Gdm
Bicamada Dyn/Gdm; Histerese Térmica Magnética; Transições de Fases Magnéticas; Terras Raras.
Esta dissertação investigou a histerese térmica e as transições de fases magnéticas em sistemas de bicamadas compostos pelos metais terras raras Disprósio (Dy) e Gadolínio (Gd). O interesse central da pesquisa residiu no campo do nanomagnetismo, motivado pela crescente demanda por miniaturização e aumento da eficiência em dispositivos de armazenamento de dados e spintrônica. Nas terras raras, o comportamento magnético é ditado por uma complexa competição de energias, incluindo a interação de troca indireta (RKKY) de caráter oscilatório, a anisotropia magnetocristalina e, quando há campo magnético externo aplicado, a energia Zeeman. O estudo utilizou uma abordagem teórica fundamentada no modelo de campo efetivo local e métodos numéricos para determinar as configurações de mínima energia e os perfis magnéticos durante ciclos de aquecimento e resfriamento. Foram simuladas bicamadas Dyn/Gdm com diferentes configurações estruturais, a saber: Dy10/Gd10, Dy12/Gd10, Dy15/Gd10 e Dy24/Gd10. Investigou-se o efeito do tamanho do filme de Gd, considerando sistemas com 5, 10 e 15 camadas, a fim de analisar a influência do tamanho do filme e do acoplamento de interface nas configurações magnéticas resultantes. As simulações foram realizadas na faixa de temperatura entre 80-200K e na faixa de campos entre 0.1 - 8.0kOe. Os resultados obtidos para as bicamadas Dyn/Gdm demonstraram que a espessura do filme de Disprósio altera significativamente a estabilidade das fases e o valor do campo crítico necessário para eliminar a histerese. A evolução das fases magnéticas revelou que filmes ultrafinos, como o de 10 camadas, não possuem espaço físico para a formação de um giro helicoidal completo, apresentando apenas uma hélice modificada. Em contrapartida, bicamadas a partir de 15 monocamadas de Dy permitem a formação de estruturas mais complexas, como a fase Helifan (HFN). Um aspecto fundamental observado foi a influência do Gadolínio, que permanece ferromagnético em temperatura ambiente e atua como uma “âncora magnética”, estabilizando uma fase antiferromagnética (AFM) no Disprósio em temperaturas acima de 175 K. O fenômeno da histerese térmica magnética ocorre devido à discrepância entre as transições de fase durante o aquecimento e o resfriamento do sistema. Durante o resfriamento, a fase hélice tende a ser favorecida, enquanto o aquecimento frequentemente leva a estados intermediários ou frustrados, como a hélice alternada (AH) ou a fase fan (FN), antes de atingir o ordenamento magnético final. Portanto, o trabalho concluiu que a manipulação da espessura e do campo magnético externo permite um controle preciso sobre as propriedades magnéticas dessas bicamadas, reforçando seu potencial tecnológico.