ATIVIDADE ANTIPARASITÁRIA DA LECTINA DAS FOLHAS DE Bauhinia monandra (BmoLL) SOBRE HELMINTOS GASTROINTESTINAIS DE OVINOS (Ovis aries L)
Antiparasitário, bioatividade, pata-de-vaca, proteína, ovicida.
A ovinocultura enfrenta desafios significativos relacionados às helmintíases gastrointestinais, as quais causam perdas produtivas consideráveis. O Nordeste brasileiro é a região que concentra a maior parte do rebanho nacional, sendo a principal fonte de renda de muitas famílias. O uso indiscriminado de anti-helmínticos químicos leva ao desenvolvimento de resistência parasitária, tornando necessária a busca por alternativas sustentáveis para o controle parasitário. As plantas são fontes de moléculas promissoras que podem reduzir a necessidade de tratamento químico para o controle de helmintíases em ovinos. As lectinas vegetais são proteínas que se ligam específica e reversivelmente a carboidratos e promovem efeitos biológicos, incluindo atividade anti-helmíntica. Bauhinia monandra Kurz é uma espécie de planta que ocorre no litoral brasileiro e que possui vasto uso na medicina popular. Uma lectina das folhas de B. monandra, BmoLL, possui atividades anti-inflamatória, antinociceptiva e hipoglicemiante. No entanto, não existem pesquisas com avaliação do seu potencial efeito anti-helmíntico. O objetivo deste trabalho foi investigar a atividade antiparasitária de BmoLL em ovos de helmintos gastrointestinais de ovinos naturalmente infectados. A lectina foi purificada por cromatografia de afinidade em gel de guar, caracterizada quanto a sua atividade e perfil eletroforético e testada em diferentes concentrações (250 a 1,9 µg/mL) quanto ao potencial anti-helmíntico in vitro, através do teste de eclosão de ovos. BmoLL foi conjugada com isotiocianato de fluoresceína (FITC) para avaliar a sua interação com estruturas de ovos e de larvas, por microscopia de fluorescência. BmoLL apresentou uma atividade ovicida dose-dependente, inibindo 56,2 % da eclosão de ovos na concentração de 125 µg/mL. Além disso, observou-se um retardo no desenvolvimento embrionário de ovos incubados com BmoLL a 250 e 125 µg/mL. A pré-incubação da lectina com galactose (50 mM) suprimiu sua atividade anti-helmíntica, confirmando que o efeito ovicida é mediado pelos domínios de reconhecimento de galactose. As análises por microscopia de fluorescência revelaram a ligação de BmoLL-FITC ao material embrionário dos ovos e às larvas, sendo essa interação bloqueada por incubação com galactose. Os resultados indicam que BmoLL interage especificamente com glicanos contendo resíduos de galactose, diferencialmente distribuídos na estrutura dos ovos e nas larvas em estádio L1, interferindo negativamente tanto no desenvolvimento embrionário quanto na eclosão dos ovos. BmoLL promove ação antiparasitária, sendo útil para o desenvolvimento de uma alternativa terapêutica de base vegetal para o controle de helmintíases em pequenos ruminantes, considerando o problema crescente da resistência a anti-helmínticos sintéticos.