AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE AGUDA DO EXTRATO DE ANOMALOCARDIA BRASILIANA EM ARTEMIA SALINA E RATOS WISTAR
análise kariométrica; análise estereológica; análise morfométrica; fígado; rim; histopatologia.
A Anomalocardia brasiliana é um molusco bivalve amplamente distribuído na costa brasileira e reconhecido por seu potencial biotecnológico devido à presença de compostos bioativos. Todavia, a utilização de produtos naturais para fins terapêuticos requer a avaliação prévia de sua segurança biológica. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade aguda do extrato hidroetanólico de A. brasiliana utilizando os modelos experimentais Artemia salina e ratos Wistar. Sua toxicidade foi avaliada primeiramente em Artemia salina por meio da exposição dos organismos a diferentes concentrações do extrato, sendo observada mortalidade total dos indivíduos tratados após seis horas de exposição, enquanto o grupo controle apresentou sobrevivência integral durante todo o período experimental (24h). Para a avaliação em mamíferos, ratos Wistar (21 machos e 21 fêmeas) foram distribuídos em 7 grupos experimentais tratados com diferentes concentrações do extrato (T0 - controle; T1 - 30 mg/kg; T2 - 60 mg/kg; T3 - 100 mg/kg; T4 - 140 mg/kg; T5 - 200 mg/kg; e T6 - 240 mg/kg) sendo acompanhados durante 48 horas. Os animais foram monitorados quanto aos parâmetros fisiológicos (glicemia, temperatura corporal, consumo de água e ração) e, após o período de observação os animais foram eutanasiados por saturação anestésica de xilazina e cetamina, tendo seus órgãos coletados, pesados e processados para realização da avaliação biométrica, histológica e morfométrica (fígado e rim). Os resultados demonstraram alterações significativas nos níveis glicêmicos entre os grupos T1 e T6 após 1h30, e entre os grupos T2 e T5, T2 e T6, e T3 e T5 após 3 horas de exposição. A temperatura corporal apresentou diferença significativa entre os grupos T2 e T3 após 24 horas de exposição. O consumo de água foi significativamente maior nos grupos T3 e T4 após 48 horas, enquanto o consumo de ração apresentou variação ao longo do tempo sem diferenças significativas entre os grupos experimentais. Adicionalmente, foram observadas alterações em parâmetros morfométricos renais (fator de forma nuclear dos grupos T5 e T6 significativamente maiores que T0) e hepáticos (área e perímetro nuclear dos grupos T1 e T2 significativamente maiores que T0), bem como no peso relativo da próstata, tendo os grupos T2, T3 e T4 apresentado peso significativamente menor quando comparados ao T0, indicando resposta biológica ao extrato. Apesar dessas alterações, não foram observados sinais clínicos evidentes de toxicidade aguda severa durante o período experimental. Logo, o extrato de A. brasiliana apresentou elevada toxicidade frente ao modelo de Artemia salina, porém induziu alterações fisiológicas e morfométricas discretas em ratos Wistar machos e fêmeas nas condições avaliadas. Os resultados contribuem para o conhecimento do perfil toxicológico da espécie e fornecem subsídios para futuras investigações sobre sua segurança e potencial aplicação biotecnológica e farmacológica.