ESTUDO DOS EFEITOS FISIOPATOLÓGICOS IN VITRO DA APITOXINA EM CULTURA DE CÉLULAS TUMORAIS DE MENINGIOMA
Apitoxina, BDNF, citocinas, cultura primária de células, meningioma.
Os meningiomas são os tumores primários mais frequentes, representando mais de 30% de todos os tumores cerebrais. Na maioria das vezes, são tumores benignos e quando são grandes ou causam sintomas neurológicos, necessitam principalmente de ressecção cirúrgica, embora tumores menores, com diâmetro de até 3 cm, possam ser submetidos de forma alternativa à radiocirurgia. Entretanto, é evidente na literatura a falta de drogas eficazes para tratamento clínico medicamentoso dos mesmos, justificando assim a necessidade de novas investigações em busca de estratégias terapêuticas não cirúrgicas. Por outro lado, a apitoxina, uma mistura complexa de peptídeos e proteínas encontrada no veneno de abelhas, tem emergido como um agente promissor terapêutico devido às suas propriedades anti-inflamatórias e antineoplásicas já documentadas. Até o presente momento, a ação fisiopatológica da apitoxina sobre as células tumorais de meningiomas permanecia desconhecida. Objetivo: Este estudo se propôs a avaliar os efeitos da apitoxina em culturas de células de meningioma, verificando possíveis efeitos antineoplásicos, através da avaliação da plasticidade celular (análise morfológica) e de possíveis alterações dos níveis de citocinas, como as interleucinas (IL) IL-8, iIL-1b, IL-6, IL-10, IL-12p70 e o fator de necrose tumoral alfa (TNF-a) no microambiente tumoral, como também do BDNF (brain-derived neurotrophic factor). Métodos: 3 pacientes com meningioma que necessitaram de cirurgia foram admitidos neste estudo. No intraoperatório, pequena parte do espécime, que é normalmente enviada por completo para o estudo histopatológico, foi encaminhada ao laboratório para cultura das células tumorais, em meios de cultura controle e com a presença da apitoxina em diferentes concentrações. Do material obtido nos três pacientes, a cultura das células foi satisfatória em apenas um deles. Foram então observados os efeitos desta substância nas culturas de células tumorais de meningioma, através da microscopia com contraste de fases e da microscopia eletrônica de varredura, avaliando dados morfológicos como perímetro e área celular. A análise estatística foi realizada por meio do teste ANOVA de uma via seguida pelo teste de comparações múltiplas de Bonferroni. Resultados parciais: Os parâmetros morfométricos celulares foram influenciados pela concentração de apitoxina, de forma dose-dependente. Observou-se diferença estatisticamente significativa na área e no perímetro celular entre praticamente todos os grupos (p < 0,001), com redução destes parâmetros, exceto na comparação entre o grupo controle com concentração de 5µg/mL no quesito área celular. Entretanto, ocorreu aumento da área e perímetro celulares na concentração de 1µg/mL. Conclusões: Os achados sugerem efeito morfológico citotóxico dependente da concentração, mais evidentes em concentrações elevadas (25 e 50µg/mL), porém presentes em concentrações intermediárias. Esses achados justificam a realização de experimentos adicionais para elucidar os mecanismos celulares envolvidos e aprimorar a análise concentração–resposta, utilizando também cultura de fibroblastos como grupo controle da citotoxicidade da apitoxina. Marcadores inflamatórios como IL-8, IL-1b, IL-6, IL-10, IL-12p70 e o TNF-a também serão quantificados para verificar seu papel no desenvolvimento dos meningiomas, como também os níveis de BDNF.