Ensino remoto emergencial: significações produzidas por professoras de língua inglesa do ensino médio na pandemia da covid-19
Ensino remoto emergencial; Psicologia sócio-histórica; Significações; Língua inglesa.
A pandemia de Covid-19 provocou profundas transformações nos contextos educacionais, exigindo a adoção do ensino remoto emergencial como alternativa à suspensão das aulas presenciais. Nesse cenário, a presente pesquisa tem como objetivo geral compreender a prática de ensino da língua inglesa no formato remoto a partir da análise de significações produzidas por duas professoras que vivenciaram essa experiência no ensino médio de uma escola pública situada na região intermediária de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O estudo fundamenta-se na psicologia sócio-histórica e nos pressupostos do materialismo histórico-dialético, considerando que a subjetividade se constitui nas relações sociais, históricas e culturais. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, cujas informações foram produzidas por meio de questionário inicial semiaberto e entrevista reflexiva. O questionário possibilitou a caracterização das participantes e de suas experiências docentes, enquanto a entrevista reflexiva constituiu o principal instrumento de apreensão das significações atribuídas ao ensino remoto emergencial. A análise das informações foi realizada pela metodologia dos núcleos de significação, a partir das etapas de leitura flutuante das transcrições, levantamento dos pré-indicadores, sistematização dos indicadores e constituição dos núcleos. Como resultado do processo analítico, foram alcançados quatro núcleos de significação: A reinvenção da atividade docente sob a urgência do ensino remoto emergencial; Tecnologias como mediação: possibilidades e limites; Avaliar, acompanhar e dar conta da aprendizagem discente: entre o desejável e o possível; e Metodologias comunicativas no ensino remoto, engajamento e produção de sentidos. Conclui-se que a prática de ensino de língua inglesa no formato remoto não pode ser compreendida como mera transposição do presencial para o digital, pois envolveu a reorganização da atividade docente, a mediação contraditória das tecnologias, a intensificação do trabalho, os desafios de acompanhamento da aprendizagem e a produção de novas formas de interação pedagógica em condições históricas marcadas por desigualdades, limites institucionais e esforços de reinvenção.