PRECONCEITOS E INCLUSÃO ESCOLAR NO ENSINO FUNDAMENTAL: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS VOLTADAS A ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA
Educação Inclusiva; Preconceitos; Prática pedagógica; Desenho Universal para a Aprendizagem.
O presente trabalho aborda a inclusão de estudantes com deficiência nos anos iniciais do ensino fundamental, bem como os desafios relacionados à superação dos preconceitos no ambiente escolar e às práticas pedagógicas desenvolvidas nesse contexto. Apresenta como objetivo geral analisar as práticas pedagógicas mobilizadas nos anos iniciais do Ensino Fundamental para o enfrentamento dos preconceitos relacionados a estudantes com deficiência e para a construção de processos inclusivos, à luz dos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Como objetivos específicos, busca mapear essas práticas; analisar as percepções de professores acerca do preconceito, da educação especial, da educação inclusiva e dos princípios do DUA; identificar em que medida as práticas desenvolvidas na escola dialogam com tais princípios; e promover oficinas pedagógicas com foco na inclusão e no enfrentamento dos preconceitos. Fundamenta-se na compreensão de que a inclusão escolar constitui um processo histórico, social e pedagógico, que exige a reorganização das práticas educativas e o compromisso com a valorização da diversidade, a equidade e o respeito às diferenças, considerando os estudos produzidos por autores como Mantoan (2003), Pacheco (2016), Ferreira (2009; 2013), Mendes (2014) e Kassar (2011). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, realizada em uma escola da rede pública estadual de Teresina-PI, com a participação de duas professoras dos anos iniciais do Ensino Fundamental e dois estudantes público-alvo da educação especial. A produção dos dados ocorreu por meio de observação sistematizada, entrevistas semiestruturadas e análise documental. A análise foi realizada com base na triangulação de fontes e instrumentos, conforme Minayo (2000). Os resultados evidenciam que, embora as professoras reconheçam a inclusão escolar como um direito e desenvolvam ações voltadas à participação dos estudantes com deficiência, persistem desafios relacionados à superação de preconceitos, especialmente aqueles associados às diferenças nos ritmos e modos de aprendizagem. Observou-se, ainda, que as práticas pedagógicas inclusivas se manifestam de forma não sistematizada, indicando fragilidades nos processos formativos e na incorporação de princípios inclusivos no cotidiano escolar. Como desdobramento da pesquisa, realizou-se uma oficina pedagógica com as professoras participantes, resultando na elaboração de um e-book. Conclui-se que a pesquisa contribui para a compreensão das concepções e práticas docentes, evidenciando a necessidade de fortalecer ações formativas voltadas à reflexão crítica sobre o preconceito e ao desenvolvimento de práticas pedagógicas mais inclusivas e sistematizadas.