NARRATIVAS SOBRE O AUTISMO: IMPLICAÇÕES FORMATIVAS
PALAVRAS-CHAVE: AUTISMO; HISTÓRIAS DE VIDA; RESILIÊNCIA PARENTAL; FORMAÇÃO DOCENTE; EDUCAÇÃO INCLUSIVA.
A presente dissertação tem como objetivo analisar como a resiliência, presente nas histórias de vida de alunos com autismo, narradas por seus pais, mães e/ou responsáveis, repercute no processo de formação de professores que atuam na Educação Básica, com foco na educação inclusiva. A investigação ancora-se na perspectiva da abordagem qualitativa, adotando a técnica das histórias de vida como principal estratégia metodológica, com vistas a compreender os sentidos atribuídos pelas famílias às suas vivências com o processo de escolarização de seus filhos. A análise de conteúdo, conforme os pressupostos teóricos de Laurence Bardin, orienta a sistematização e interpretação dos dados obtidos por meio de entrevistas semiestruturadas, já realizadas e integralmente transcritas. A escolha pela técnica narrativa se justifica pela potência epistemológica das vozes familiares como expressão de resistência, resiliência e construção de saberes situados, cuja escuta qualificada pode oferecer contribuições relevantes à formação docente. Como alicerce teórico e contextual, o estudo foi precedido por uma revisão de literatura estruturada em quatro artigos de Revisão Sistemática da Literatura (RSL), os quais abordaram os seguintes eixos: (1) resiliência familiar no contexto do autismo; (2) inclusão escolar de alunos com autismo; (3) formação docente para a inclusiva de alunos com autismo; e (4) políticas públicas e a educação escolar de alunos com autismo. As RSL foram conduzidas segundo o protocolo PEO e validadas por meio do checklist CASP, possibilitando uma visão ampla, crítica e fundamentada sobre o estado da arte da temática. As narrativas coletadas demonstram que a resiliência parental emerge de um complexo entrelaçamento de afetos, enfrentamentos cotidianos, redes de apoio e experiências de exclusão e luta por direitos. Tais elementos, quando considerados como objetos de análise no campo da formação docente, contribuem para repensar as práticas pedagógicas, ampliando o olhar sobre a pessoa com deficiência, enquanto protagonistas de um processo formativo que envolve, dialeticamente, professores e famílias. Assim, a pesquisa defende que o contato com essas histórias — permeadas por dor, superação e potência — pode atuar como dispositivo formativo, provocando nos educadores reflexões críticas sobre seus saberes, suas práticas e os sentidos atribuídos à inclusão escolar. Em fase de construção, o estudo já concluiu a etapa de coleta e transcrição das entrevistas, e encontra-se atualmente no processo de análise dos dados. Os resultados parciais evidenciam que a escuta das narrativas familiares, além de humanizar os processos formativos, tensiona as lacunas existentes entre o discurso da inclusão e a realidade vivida nas escolas. Por fim, esta dissertação reafirma o compromisso ético-político da educação inclusiva como processo inacabado, relacional e comprometido com a justiça social.