A IMAGEM DO LÍDER: PATERNALISMOS NO ETHOS DA POLÍTICA BRASILEIRA
Análise do Discurso. Política brasileira. Imagem do líder. Ethos paternal. Memória.
Esta pesquisa visa tematizar a recente experiência política no Brasil, tendo em vista,
consequentemente, as condições históricas que precederam a cadeia de
acontecimentos culminantes nas eleições presidenciais do ano de 2022. Para tanto,
buscamos mergulhar neste contexto político utilizando como guia os pressupostos
teóricos foucaultianos do saber aliado à produção intrínseca de um discurso gerador
de poder. Estendendo-nos, de tal forma, rumo a uma investigação que ambiciona o
foco na análise histórico-discursiva da imagem de si de dois líderes políticos e seus
respectivos ethos discursivos. Concentramo-nos, portanto, no estabelecimento de
questões pertinentes à investigação da imagem do líder e o seu ethos discursivo:
quais são os jogos retórico-enunciativos mobilizados pelos candidatos Lula e
Bolsonaro para reforçar uma determinada imagem de si? Dentro disso, qual é o papel
da memória? Como os sentidos de líder ou o ethos político do governante são
constituídos, formulados e circulam na política brasileira de modo a ligarem-se à figura
paterna? Objetivamos, nesse viés, uma perquirição que analise e compare as
manifestações discursivas de dois líderes políticos brasileiros, Lula e Bolsonaro, entre
2018 e 2023, focando nos traços de um ethos paternalista em seus discursos e nas
racionalidades que os sustentam. Tendo em mente os objetivos de pesquisa
anteriormente colocados, o estudo aqui proposto baseia-se em um método de
pesquisa qualitativo que busca indagar de que modo são constituídos, formulados e
circulam na política brasileira os sentidos de líder e o ethos político do governante.
Assim sendo, os resultados preliminares revelam que, embora ambos os
representantes políticos apropriem-se de ethos paternalistas, Lula e Bolsonaro
movimentam a memória coletiva com diferentes referenciais de identidade e do que
deve suprir as necessidades do povo brasileiro, o que evoca, como sequela, diferentes
compreensões do cuidado e da proteção que constituem a base de uma figura de
liderança paternalista.