CRIANÇA E NATUREZA: VIVÊNCIAS BRINCANTES EM UMA ESCOLA DO CAMPO NA COMUNIDADE SÃO JOÃO DA VÁRZEA, MOSSORÓ-RN
Psicologia Ambiental, Infâncias, Educação do Campo, Identidade de Lugar, Semiárido Brasileiro.
A presente dissertação parte da preocupação com o distanciamento das infâncias em relação à natureza no contexto do semiárido brasileiro, especialmente em territórios camponeses, onde o potencial educativo do ambiente natural muitas vezes é negligenciado no espaço escolar. Diante disso, o estudo teve como objetivo compreender de que maneira a Psicologia Ambiental pode favorecer a formação do vínculo afetivo das crianças com a natureza do semiárido, considerando o contexto da Educação do Campo. A pesquisa foi realizada com dezesseis crianças do 1º ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais da Escola Municipal Dr. José Gonçalves, localizada na comunidade rural de São João da Várzea, em Mossoró-RN. Como metodologia, adotou-se a pesquisa-ação, com a realização de cinco intervenções psicossocioambientais baseadas em princípios de escuta sensível, cartografia socioafetiva, práticas lúdicas e desemparedamento da infância. Os dados foram coletados por meio de registros em diário de campo, fotografias, produções artísticas das crianças e aplicação de mapas socioafetivos antes e depois das ações. Os resultados indicam que, ao longo do processo, as crianças passaram a representar a natureza com mais detalhes e afetividade, desenhando árvores, flores, animais e elementos do quintal escolar com maior frequência e entusiasmo, associando os espaços naturais do território educativo de São João da Várzea a sentimentos agradáveis como satisfação, amor e alegria. Também demonstraram maior engajamento nas atividades ao ar livre, a exemplo do plantio de mudas, criando vínculos de cuidado com o território e reforçando a identidade de lugar camponesa. A cartografia socioafetiva, como recurso metodológico e expressivo, revelou-se uma ferramenta eficaz para captar mudanças simbólicas e relacionais nas percepções das crianças sobre a comunidade. Desse modo, a pesquisa contribui com o campo da Psicologia Ambiental ao propor uma prática interdisciplinar replicável, que articula educação ambiental crítica, escuta das infâncias e valorização da cultura local como espaço de formação do sentimento de pertencimento.