Dissertações/Teses

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2025
Dissertações
1
  • FRANCISCO JANIO SAMPAIO BEZERRA
  • NARRATIVAS SOBRE O AUTISMO: IMPLICAÇÕES FORMATIVAS

  • Orientador : MARIA IONE DA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA IONE DA SILVA
  • KLAUS SCHLUNZEN JUNIOR
  • ARTUR JORGE BAPTISTA SANTOS
  • Data: 27/11/2025

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  • RESUMO

    A presente pesquisa está vinculada ao Programa de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva (PROFEI), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), na linha de pesquisa Práticas e Processos Formativos de Educadores para Educação Inclusiva. O estudo parte da necessidade de compreender como as experiências das famílias de crianças com autismo podem oferecer subsídios para a formação de professores e o fortalecimento de práticas pedagógicas inclusivas. A pesquisa teve como objetivo analisar como a resiliência presente nas histórias de vida de alunos com autismo, narradas por seus pais, mães e/ou responsáveis, repercute no processo de formação docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Metodologicamente, trata-se de uma investigação qualitativa, organizada em duas etapas articuladas. Primeiramente, foram realizados quatro estudos de Revisão Sistemática da Literatura (RSL) sobre resiliência, inclusão escolar de alunos com autismo, formação docente e políticas públicas. Em seguida, desenvolveu-se a coleta de dados, utilizando a técnica de histórias de vida, por meio de entrevistas semiestruturadas com pais, mães e/ou responsáveis de crianças com autismo de uma escola pública do município de Crateús (CE). Os dados empíricos foram tratados pela Análise de Conteúdo de Bardin (2016), permitindo a construção de eixos temáticos sobre desenvolvimento infantil, enfrentamento do diagnóstico, escolarização e inclusão, redes de apoio e implicações formativas. O referencial teórico fundamentou-se em autores como Cyrulnik (2001b; 2003; 2006; 2023), que discute a resiliência e os processos de ressignificação; Mantoan (2009), que problematiza a mudança de paradigma da Educação Especial para a perspectiva da Educação Inclusiva; Orrú (2003; 2019), que aborda o autismo e práticas pedagógicas não excludentes; Nóvoa (1991; 2018), que reflete sobre saberes e identidades docentes. Também dialogou com legislações e políticas públicas brasileiras, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI), que asseguram o direito à educação inclusiva. Os resultados revelaram que a resiliência parental é construída a partir de processos de aceitação do diagnóstico, reorganização emocional, fortalecimento de redes de apoio e ressignificação cultural e espiritual das experiências. Essa resiliência impacta diretamente a escola, promovendo parcerias com professores, defesa ativa de direitos, contribuições sobre práticas pedagógicas mais sensíveis e contextualizadas e identificação de barreiras institucionais que dificultam a inclusão. As narrativas também evidenciam que famílias podem se tornar fontes formativas para docentes, provocando reflexões críticas sobre o ensino, sobre a necessidade de suportes estruturais e sobre a articulação entre políticas públicas e práticas escolares. Como desdobramento prático, a pesquisa culminou na elaboração do recurso educacional “Resiliência no Autismo: por uma escola que escuta e transforma”, material pedagógico que fomenta processos formativos de professores e gestores, contribuindo para o planejamento de práticas inclusivas sensíveis às histórias das famílias. Conclui-se que ouvir e compreender as experiências parentais amplia a perspectiva da formação docente para além da dimensão técnica, favorecendo um compromisso ético e humano com a inclusão escolar de crianças com autismo.


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  • ABSTRACT

    This study is part of the Professional Master’s Program in Inclusive Education (PROFEI) at the State University of Rio Grande do Norte (UERN), within the research line “Educator Training Practices and Processes for Inclusive Education.” It arises from the need to understand how the experiences of families of children with autism can contribute to teacher education and strengthen inclusive pedagogical practices. The research aimed to analyze how the resilience manifested in the life stories of students with autism, as narrated by their parents and/or guardians, affects the process of teacher education in the early years of elementary school. Methodologically, this is a qualitative study developed in two interrelated stages. First, four Systematic Literature Reviews (SLRs) were conducted on the themes of resilience, school inclusion of students with autism, teacher education, and public policies. Subsequently, data collection was carried out using the life story technique through semi-structured interviews with parents and/or guardians of children with autism enrolled in a public school in the municipality of Crateús, Ceará. The empirical data were analyzed using Bardin’s (2016) Content Analysis, which enabled the identification of thematic categories related to child development, coping with the diagnosis, schooling and inclusion, support networks, and educational implications. The theoretical framework was grounded in authors such as Cyrulnik (2001b; 2003; 2006; 2023), who discusses resilience and processes of resignification; Mantoan (2009), which problematizes the paradigm shift from Special Education toward an Inclusive Education perspective; Orrú (2003; 2019), who addresses autism and non-exclusionary pedagogical practices; and Nóvoa (1991; 2018), who reflects on teaching knowledge and professional identity. The study also examined Brazilian legislation and public policies, including the Law of Guidelines and Bases for National Education (LDBEN), the Brazilian Law for the Inclusion of Persons with Disabilities (LBI), and the National Policy for Special Education from the Perspective of Inclusive Education (PNEEPEI), all of which guarantee the right to inclusive education. The findings indicate that parental resilience is constructed through processes of accepting the diagnosis, reorganizing emotions, strengthening support networks, and reinterpreting the cultural and spiritual meaning of experiences. This resilience exerts a direct influence on the school context, fostering partnerships with teachers, encouraging active advocacy for rights, supporting more sensitive and contextualized pedagogical practices, and revealing institutional barriers that hinder inclusion. The narratives also show that families can serve as valuable formative agents for teachers, stimulating critical reflection on teaching practices, the need for structural support, and the articulation between public policies and school realities. As a practical contribution, the research culminated in the development of the educational resource “Resilience in Autism: For a School that Listens and Transforms,” designed to support the training of teachers and administrators and to assist in planning inclusive practices that are sensitive to family experiences. The study concludes that listening to and understanding parental narratives broadens the scope of teacher education beyond technical dimensions, promoting an ethical and human commitment to the inclusive schooling of children with autism.

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