ANÁLISE DA DIMENSÃO FRACTAL DO NÚCLEO DOS NEUTRÓFILOS E NÚMERO DE NEUTRÓFILOS ANELARES: DOIS POTENCIAIS BIOMARCADORES DE ATIVIDADE INFLAMATÓRIA NA ARTRITE REUMATOIDE
artrite reumatoide; neutrófilos anelares; análise fractal; biomarcador.
Introdução: A artrite reumatoide (AR) é uma doença crônica autoimune, caracterizada por
inflamação poliarticular simétrica e rigidez matinal, que a longo prazo pode causar
deformidades articulares e comprometimento funcional da mobilidade, resultando em prejuízos
significativos para a qualidade de vida. Objetivo: Este estudo teve como objetivo a
quantificação dos neutrófilos anelares (NA) e a análise da dimensão fractal (DF) do núcleo dos
neutrófilos como possíveis biomarcadores morfométricos auxiliares para o diagnóstico e/ou
estadiamento da Artrite Reumatoide (AR). Métodos: Foi realizado um estudo transversal,
analítico e comparativo, com 14 pacientes diagnosticados com AR (média de idade 54,64 anos,
92,85% do sexo feminino) e 12 indivíduos saudáveis (média de idade 44,10 anos, 75% do sexo
feminino). A coleta de sangue venoso permitiu a preparação de lâminas hematológicas que
foram coradas com May-Grünwald-Giemsa. Utilizando microscopia de luz, foi realizada a
contagem morfológica dos NA e a captura de imagens dos núcleos neutrofílicos para análise da
DF via software ImageJ. Foram calculadas as DF de preenchimento e do contorno dos núcleos.
Os dados clínicos incluíram o escore de atividade da doença (DAS-28) e a velocidade de
hemossedimentação (VHS). As comparações entre os grupos foram realizadas pelos testes t não
pareado (com correção de Welch) e Mann-Whitney, e as correlações pelo teste de Spearman,
adotando-se um nível de confiança de 95%. Resultados: Pacientes com AR apresentaram
atividade inflamatória moderada a alta (DAS-28 médio de 5,69; VHS médio de 46,56 mm/h).
A média de NA nos pacientes foi de 15 (DP = 3,87), apresentando-se significativamente maior
que nos controles (p<0,0001). Morfometricamente, os NA mostraram DF de contorno reduzida
em relação aos outros neutrófilos não anelares (p = 0,0159), mas não houve significância
estatística na avaliação da DF de preenchimento (p = 0,4508). Ao comparar os grupos, os
neutrófilos de pacientes com AR tenderam a uma forma nuclear mais simples, com
deslocamento para menores valores de DF de contorno (p < 0,0001), enquanto a mediana da
DF de preenchimento foi maior nos indivíduos com AR do que nos saudáveis (p < 0,0001). Não
houve correlação significativa do número de NA com o DAS-28 (r = 0,3825; p = 0,2139) e com
o VHS (r = 0,2139; p = 0,3825). Da mesma forma, as análises de correlação não demonstraram
associação significativa entre a DF de contorno e a VHS (r = -0,2920; p = 0,3081) ou DAS-28
(r = -0,1104; p = 0,9757), nem entre a DF de preenchimento e a VHS (r = 0,1455; p = 0,6160)
ou DAS-28 (r = -0,1078; p = 0,7123). Conclusões: A análise morfométrica revelou diferenças
estatisticamente significativas na contagem de NA e na DF nuclear entre pacientes com AR e
indivíduos saudáveis. A ausência de correlação linear direta com marcadores clínicos de
inflamação aguda sugere que esses parâmetros morfométricos atuam como variáveis
independentes, captando remodelações estruturais próprias do estado da doença. O método
demonstra-se promissor, mas deve ser validado em estudos com amostras maiores para
estabelecer sua precisão como biomarcador