DO PREÇO AO PULSO: A FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA PROLETÁRIA EM CACAU E JUBIABÁ
Romance proletário; Luta de classes; Jorge Amad
Este trabalho analisa a formação da consciência proletária nos romances Cacau e Jubiabá, de Jorge Amado, com o objetivo de compreender como essas obras articulam, no plano formal e temático, as contradições da sociedade brasileira nas primeiras décadas do século XX. A pesquisa adota como método o materialismo histórico-dialético, mobilizando categorias como classe, reificação e totalidade, a partir das formulações de Karl Marx e Georg Lukács, em diálogo com a crítica literária de Antonio Candido, Roberto Schwarz e Fábio Lucas. A análise evidencia que os romances não apenas tematizam a exploração do trabalho, mas a inscrevem na própria forma literária, especialmente por meio da centralidade da experiência coletiva, da construção de narradores vinculados ao universo representado e de escolhas linguísticas que tensionam a distância entre intelectual e classes populares. Os resultados indicam que a literatura amadiana, ao mesmo tempo em que se vincula ao projeto do romance proletário, evita a redução panfletária ao articular dimensão ideológica e elaboração estética, configurando-se como espaço de mediação crítica das contradições sociais. Assim, Cacau e Jubiabá contribuem para a representação dos limites e das possibilidades da consciência de classe no Brasil, ao evidenciarem, em sua forma narrativa, tanto os processos de reificação quanto os movimentos, ainda que incipientes, de superação da consciência fragmentada