A REPRESENTAÇÃO DA MULHER NO CANGAÇO NA PEÇA A BEATA MARIA DO EGITO, DE RAQUEL DE QUEIROZ
Representação feminina. Mulher nordestina. Mulher cangaceira. Teatro brasileiro.
O presente trabalho investiga a representação da mulher no cangaço na peça de teatro A Beata Maria do Egito (2003) de Rachel de Queiroz (1910-2003). A peça apresenta o fanatismo religioso e a configuração da mulher cangaceira por meio da protagonista Maria do Egito. Analisamos as representações nordestinas: o cangaço e o messianismo e desconstruímos o estereótipo de “mulher-macho”, termo atribuído a mulher dita forte desta região. Tendo em vista a importância de adotar os estudos de gênero como referencial analítico sobre a presença feminina no cangaço, a presente pesquisa se propõe a desenvolver uma breve historiografia do cangaço, elencar as razões que impulsionaram a inserção feminina no bando, bem como debater as representações e vivências do feminino nesse contexto de violência através da personagem Maria do Egito. O texto será estudado sob três aspectos: crítica feminista, modo de representação da personagem no cangaço e análise dramatúrgica. Como referencial teórico são utilizados os seguintes autores: Adriana Negreiros (2018) e o cangaço feminino, Durval Albuquerque Júnior (2013) em relação a mulher nordestina, a crítica teatral de Pascolati (2009) sobre os operadores do texto dramático e Anatol Rosenfeld (2012) que discute o herói trágico e o herói humilde.