ANÁLISE AMBIENTAL DOS RESERVATÓRIOS DO MÉDIO CURSO SUPERIOR
DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO APODI-MOSSORÓ/RN-BRASIL
Recursos hídricos; Reservatórios de Recursos Hídricos; Gestão hídrica; Segurança de Barragens; Semiárido.
Os reservatórios d'água assumem papel estratégico no semiárido brasileiro, região historicamente marcada pela irregularidade das chuvas e pela escassez hídrica, funcionando como principais infraestruturas de acumulação e garantia do abastecimento de água nos períodos de estiagem, o que torna sua gestão adequada essencial para a segurança hídrica e o desenvolvimento sustentável da região. O estudo tem como objetivo realizar uma análise ambiental dos reservatórios localizados no médio curso superior da bacia hidrográfica do Rio Apodi-Mossoró. O estudo adota abordagem metodológica mista, integrando procedimentos qualitativos e quantitativos para uma análise abrangente dos reservatórios investigados. Para a caracterização física e ambiental dos corpos hídricos, foram aplicados checklists estruturados em campo, enquanto o software QGIS foi utilizado para a produção de mapas de uso e ocupação do solo no entorno dos reservatórios, considerando um buffer de 500 metros. A identificação e avaliação dos impactos ambientais foram realizadas por meio da Matriz de Leopold adaptada, e a percepção ambiental das comunidades residentes no entorno foi captada mediante a aplicação de formulários junto aos moradores. A integração dos resultados obtidos por esses instrumentos subsidiou, por fim, a elaboração de matrizes de planejamento, constituindo um conjunto metodológico articulado e complementar voltado à gestão sustentável dos recursos hídricos estudados. Os resultados evidenciam fragilidades estruturais expressivas nos reservatórios analisados, uma vez que 89% apresentam erosão na crista, 64% não possuem rip-rap ou apresentam revestimento incompleto no talude a montante, e 85% registram a presença de árvores e arbustos no talude a jusante. A análise espacial revelou o predomínio de usos antrópicos no entorno dos reservatórios, com destaque para a agropecuária, que ocupa 78,26 km² (43,42% da área total), seguida pela formação savânica (33,48%), corpos d'água (18,12%), formação florestal (3,16%) e área urbana (1,44%), configurando um cenário de forte pressão sobre os recursos hídricos. Esse quadro é corroborado pela aplicação da Matriz de Leopold adaptada, cujos resultados indicam que os impactos negativos de elevada magnitude estão associados principalmente às atividades agropecuárias e urbanas desenvolvidas no entorno dos corpos hídricos. No que se refere à percepção ambiental das comunidades, os resultados indicam que a população residente é predominantemente idosa, com 39,1% dos entrevistados na faixa etária entre 50 e 65 anos. Verificou-se que 69% fazem uso da água sem tratamento prévio, e o perfil epidemiológico local é marcado pela predominância de doenças infecciosas, com destaque para gripe e virose, que acometem 45,3% dos entrevistados. Quanto à percepção sobre as causas da degradação ambiental, 59,3% reconhecem que as atividades humanas são as principais responsáveis pela poluição dos reservatórios. Por fim, a participação social na gestão dos recursos hídricos mostrou-se notavelmente reduzida, com 95,1% dos entrevistados afirmando não participar de comitês de bacias hidrográficas, atribuindo ao poder público a responsabilidade pela conservação e limpeza das comunidades e dos corpos d'água. Os reservatórios estudados estão submetidos a um conjunto de pressões antrópicas de elevada magnitude, cuja origem remete, sobretudo, à expansão desordenada das atividades agropecuárias e urbanas.